A Quem ficou na soleira
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Quem são esses homens com ânsias de pátria, que alçaram coragem pra fazer história no lombo dos pingos deixando na tela dos olhos da amada, esperanças molhadas salgando paisagem de ternos domingos.
Gaúchos, provincianos, tropeiros e lavradores, que se fizeram soldados trocando campos e arados pela espada e o fuzil, pois os campos de batalhas sedentos pelo entreveiro, já desenhavam heróis com o sangue dos boçais sobre o verdor dos potreiros. - Vida e morte; noite e dia.
No calorão das refregas ou das madrugadas frias, quando a saudade golpeia co’a espada das Três Marias. Ouve-se a voz de um clarim antes do sol nas trincheiras e o cabo que negaceia manda o sinal da peleia abrindo um rombo no céu, a cavalhada escarceia e um já griota, alçando a perna; - É no pavor de uma carga que o taura que honra a farda franze a testa e não se entrega..
É nessa hora encardida que a vida ganha sentido, pelear, matar ou morrer não são motivos pra ser se for pra ser repartido!
E a quem ficou na soleira degustando a dor da espera, enclausurando quimeras - para iludir as tristezas -
No fundo do coração, resta semear esperanças no campo do pensamento e o olhar a esmo a distância gastando em terço de prata lanceiras preces ao vento.
Por isso saco o sombreiro e até me ajeito nos bastos quando cruzo um monumento, pois sei que no firmamento, encontrarei os teus rastros.
E quando alguém me pergunta; - quem são os da praça vestidos de pátria inertes e altivos no lombo dos pingos?... Lhes digo: - São eles!... Aqueles que um dia pra fazer história deixaram na tela dos olhos da amada, esperanças molhadas salgando as paisagens de eternos domingos...