Pelos Sonetos da Guerra
14º Bivaque da Poesia GáuchaPublicado em
Quando a primeira vez que fui à guerra, Perseguia meus instintos de guerreiro... De lança em punho... Como quem não erra... Só contava com Sepé por companheiro... De pele escura, pelo sol trigueiro, E a voz de índio... Que a batalha berra... Mas pra não ter o destino de Sepé. Me levantei do chão do Caiboaté Pesando prós e contras na balança... Deixei que ele morresse nessa glória, Pulei direto em outra história, Mas sempre peleando e... dê-lhe lança! Quando da segunda vez que fui à luta, Batalhei por uma pátria em construção, Fui epopeias e ideais de uma disputa Que abriu caminhos à espada e a facão... Entreguei ao velho Bento uma nação Conquistada no sangue e força bruta E o leguei da maior Constituição Escrita nos farrapos de um recruta... Quando acuado nas notórias rebeldias, Dei de tréguas aos concílios de Caxias Para sair vitorioso... Pelo berro... Mas entreguei os brasões ao General, E mergulhei nas águas rubras do Seival Saindo em outra rinha e... dê-lhe ferro! Quando da terceira vez que fiz batalhas, Resolvi trocar de lado e de valores, Já não buscava o ouro das medalhas Nem defendia as causas dos doutores...
Mesmo assim fui degola e as navalhas Que encenaram o“palco dos horrores”! Fui o estanho “caliente” das metralhas Que Honório cuspiu no velho Flores... E eu também me tapei de picumã Quando, lá na ponte do Ibirapuitã, Fizeram uma peneira do meu pala... E só restou eu me mandar a deus-dará... Seguindo passos do Leão do Caverá Mas sempre entrincheirado e... dê-lhe bala! Quando da quarta vez que fui às cargas, Levei um velho caudilho na garupa... Entreguei o Catete ao Velho Vargas Para uma pátria liberta e absoluta... Envolvi quatro estados na disputa E amarrei no Obelisco o “patas largas”... Embora minha estampa bem matuta, Fiz valerem meus munícios... nas “amargas”... Entreguei ao presidente essa vitória... Como era ele para entrar na história, Eu retornei ao Sul, como proscrito... Sem brasões, sem troféus, mas sem maneias, Voltei campeando restos de peleias, Dando de esporas no pingo e...dê-lhe grito! Quando da última vez que fui pelear, Não encontrei caudilhos nem guerreiros, Somente párias dispostos por matar Pelas razões do ódio e do dinheiro... Vi-me entre navios e fuzileiros, Árdua tormenta de mísseis pelo ar, Com armas de funestos bombardeiros Envolvidos numa guerra nuclear... Então juntei os ferros de mansinho, Discretamente fui saindo de fininho Em estratégica fuga diplomata... E com bandeiras brancas acenando paz, Dei de rédeas, no flete, para trás, Me mandei campo à fora e ... dê-lhe patas!