Charla de Bravos em Tempos de Paz
O balanço da cadeira silenciou num de repente, quando o neto na sua frente apeou do “malacara”. Um petiço de taquara que parecia bufar, e o velho foi escutar o que dizia esse “taura”.
- “Meu avô, vou “fazê guerra”, de lutar uns contra os outros, vou montar o melhor potro pra matar meu inimigo. Quero enfrentar o perigo e atirar pra todo o lado, e, se eu tiver apertado, sei que conto contigo!”
O velho enxergou o Bento na figura da criança; lembrou o tempo de infância, de campeiro e peleador. Sentiu no peito o calor das hostes de Canabarro, sem vaidade, sem esparro, mas, guerreiro de valor.
Quem tem batalha no sangue, traz por herança a bravura; e a pequena criatura retratava seu destino. Pois lutou desde menino, defendendo um ideal; recuerdos de um imortal, touro puro em campo fino.
Vontade não lhe faltava, pro guri, dar um incentivo; quem é guapo tem motivos, contra aves de rapina; que mancham nossas campinas, com ganâncias primitivas, e roubam nossas divisas, tudo em troca de propina.
Essa sede de poder, que deslumbra os governantes com impostos ultrajantes na verdadeira sangria. Campeia a patifaria, de roubo e corrupção, que empobrece esta nação à luz dessa tirania.
Não temos mais lideranças, pra defender nosso chão; o nosso imenso rincão tá a beira da ditadura. Na mordaça, a linha dura pra quem disser a verdade, e a falsa moralidade, o povo já não atura.
No tempo dos farroupilhas, acontecia isso tudo, mas alguém não ficou mudo e mudou o rumo da história. Hoje, serve de memória, na leitura do passado, pra quem foi acostumado a viver com luta e glória.
O sangue ferveu nas veias, sentindo aquela alegria, de se mandar “ a lá cria” com a bandeira desfraldada. “Terciando” na madrugada, com ganas de galo novo, pra defender o seu povo das garras da “cachorrada”.
- Guri, eu vou contigo! deu um ímpeto de dizer; mas precisou se conter pra dar vazas a razão. No controle da emoção, Nunca se incentiva a guerra, mesmo em defesa da terra contra bandido e ladrão.
Uma lágrima quase veio emoldurar o seu rosto; mesmo sendo, a contragosto, precisou dar um conselho: - “Meu guri, descansa o relho e vamos prosear um pouco; nosso mundo tá tão louco e anda muito desparelho!”
- “ Meu neto, preste atenção, escute bem o que eu digo: o castigo ao inimigo é a Justiça que está dando. Quem é justo está ajudando a manter a lei e a ordem; não é pregando desordem que o mundo estará mudando!”
- “A guerra não dá remédio, nem camisa pra ninguém; quero que entendas também
e respeite a evolução. Que esta tua geração, tenha fé e seriedade e aprenda na faculdade, que todos somos irmãos!”
- “Educação e bom senso, são as molas propulsoras, contra mentes impostoras que assolam nosso país. O amor é a diretriz, do patrão ao capataz; nessa luta pela paz, que é nosso bem de raiz.”
- “Por isso, querido neto, te senta aqui, bem pertinho; receba este recadinho dum gaúcho de verdade; que peleou na mocidade, e hoje pede ao Criador: Arquiteto, meu Senhor, abençoe a humanidade!!!”