Natal Gaúcho
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No meu Natal de gaúcho Vou evitar imposições Que contrariam tradições De um nascimento sem luxo De Quem agüentou o repuxo Pra salvar a Humanidade. E não é com falsidade Que irei comemorar o Seu Dia, Pois em Belém não existia Neve branca da vaidade!
Vou me apartar da ignorância E não vou trocar presentes Nem abusar de bebidas ardentes. Ao Menino Jesus criança É que estarei homenageando. Não vou continuar negando Um de seus ensinamentos, Pois só a materialidade Sem a espiritualidade É negar Seus Mandamentos!
No meu Natal campesino Não quero a melancolia Das músicas próprias do Dia. No meu clima Natalino Vou preferir Nativismo A qualquer ritmo estrangeiro. Vou festejar bem faceiro O Aniversário de Cristo. Por isso nisto eu insisto: O meu será som campeiro!
Obrigado é pau de arrasto Já diz o velho ditado. Tiro dado, bugio deitado; Das incoerências me afasto. Não seguirei o nefasto, pois sou gaúcho e existo. Por isso, também eu insisto: No meu Natal de Gaúcho A mesa campeira sem luxo É o meu presente pra Cristo!
Na minha ceia campeira O arroz e o feijão preto, A carne gorda no espeto, Na vaza da carneadeira; Frango caipira na assadeira, Peixe assado com pirão. Na volta um bom chimarrão Para aliviar a fastia, Porque não interessa a iguaria, O que vale é a intenção!
Por isso eu me liberto Desses costumes impostos E os procedimentos propostos São pendentes para o certo. É com o coração aberto Que este "boi de tropa" berra. E o seu mugido encerra Um grito de liberdade, Pra que tenhamos, campo e cidade, Um Natal de Nossa Terra!