Alma em Verso
Poesia

De Gaucho e de Cavalos

José Carlos Cardoso Goularte

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Nascido das manhãs claras de claras intenções de amor sou de ambições solidárias não me resente o que for. Se trago marcas no lombo não faço parte da tropa, caio mas não creio em tombo não reconheço a derrota. Sei situar minha estirpe na história do continente; sei do padrão desigual que afeta o meio rural e acaba enxotando a gente.

Sei engolir mau churrasco amargar o frio chimarrão; sei suportar o fiasco do guapo de pé no chão. Sei das nossas tradições e dos patrões "mui amigos", são todos bons corações mas trazem os peões constrangidos. E dos sindicatos rurais a peleguear pros fazendeiros, que pra manter seus currais nos pleitos eleitorais têm nalguns peões seus olheiros.

Gosto da vida no campo, tenho no potro um irmão; não rezo não creio em santo, não sou de ouvir pregação. Creio no irmão solidário que assume na confusão; quem não é veraz é falsário quem nega o sim diz que não. Comove-me o tom da guitarra do índio que milongueia; gosto do fumo e do trago da china que faz afago, de tudo que me incendeia.

Mas quando fiz esta milonga já tinha endereço certo, não há de ter vida longa quem se quiser muito esperto. De gaúcho e de cavalo entendo eu muito bem, não ponho o pé neste pealo já que isto não me convém. Mas creio deixei patente a postura pro companheiro: não saia cantando loas as coisas nunca foram boas aqui neste vasto potreiro.