Aos que plantam versos
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Sei, que a cidade que hoje habito há pouco tempo foi campo... Sei, que tudo muda, isso é um fato, basta bombear os retratos dos pais dos pais de meus pais... Também sei, que a estância onde me criei há muito virou tapera... Por isso, eu bem sei, que embora o mundo dê voltas o tempo não volta mais!
Assim, venho aos senhores do verso pedir com toda a humildade que tomem muito cuidado ao campearem o passado inspiração para os poemas. Por favor, refugem temas que cantem dor ou saudade, pois, considero maldade fazer um peão despeonado andar remoendo a verdade!
Então, para homenagear quem foi campo, falem dos tombos e pealos, das madrugadas e galos, de touros ganhando o mato, japecanga, unhas de gato, coisas simples de lembrar... Poncho, garras de domar, tesoura afiada pra esquila ou da eguada que se perfila quando se manda formar!
Lhes digo, um verso feito com gosto quando contar esses fatos deve ajoujar nos relatos o lado bom que eles tem... Os senhores sabem bem o quanto a emoção maltrata... Pois quem arrasta alpargata perdido entre a multidão traz preso no coração um laço que lhe desata!
Por isso, não é hora de dar porta... Quem vem da boca do brete não está pronto e nem promete outra bandeira colorada pra encher mais uma rodada... Por certo, busca a alegria e prefere a pista vazia a ter de enganchar na corda mil coisas de que recorda mas que não servem pra nada!
Talvez, seria um castigo Bueno se estas rimas doloridas que falam das duras lidas estancassem na garganta e sufocando quem canta, trariam bem mais consolo. E o verso, um pingo crioulo, mostrando a força da raça iria crescer nas praças como se fosse uma planta!