Entre Versos e Quimeras
Jeferson Monteiro e Joseti Gomes
I Concurso de Poesias Gauchescas – 31º Rodeio de VacariaPublicado em
Te vejo em minhas distâncias... Se dos olhos brilham silêncios guardados que se derramam ao desprenderem de mim, te vejo em cada sonho acalentado... Te vejo, mesmo longe, ao meu lado . Te vejo em cada flor, do meu jardim . Morena... de olhar tão triste e perdido... Já não suporto esta ausência, Estar distante de ti... Teus cabelos, negras cascatas, deslizam sobre os ombros, serenata pras minhas noites silentes, em que me perco compondo versos pra quem jamais viveu aqui... Recolorindo quimeras, transformo o rancho tapera, no arco-íris mais lindo, com matizes de arrebol... E abro frestas na lembrança, buscando teu terno semblante, e a imagem mais constante, do teu sorriso de aurora... Que cala fundo e desconsola cada vez que te recordo, pois tua ausência é minha ânsia, e só por ti meus olhos choram...
Meus dedos já estão cansados da lida dura dos campos... Meus passos outrora ligeiros, tropeçam no dia-a-dia, se perdem nessas estradas, que secam pela agonia de ver teu riso chegando, e todo meu ser, transformando milongas em poesias... Porém é só mais um devaneio dentre todos que acalanto... E neste mar, que fiz meu pranto estendido pelas várzeas, vou pescando aos fins de tarde num caniço de esperança, que jogo sem ver pra onde... E só as iscas de lembranças Sabem por onde te escondes... Quando campeio as ninhadas que se extraviam pelos capões, encontro bem mais que ilusões de esconderijos guardados ... Reencontro os recados que confiei para os ventos ... E descubro que o mensageiro não entendeu tal urgência, Nem se quer compreendeu a inquietude desta alma flor de açude, exilada na querência ...
Ruminando meus pensares redesenho meus caminhos ... Miro estradas e estrelas, Miro flete ...e capões ... Sento o xergão ...afirmo os arreios, Poncho emalado pras noites de frio Assim que clarear, costeando este rio, Eu sigo pra perto, do olhar que não veio ... Nas entrelinhas do tempo Irei lançar meu destino, Talvez se faça paixão. Talvez se faça malino. Vou buscar esta resposta naquele olhar de açucena, E quem sabe noutro agosto eu retorne as invernias, junto aos braços da morena, desfazendo as incertezas que hoje habitam meu ser... Estou partindo pra o povo, Campear seus lábios de novo, E este sonho ...viver!!!