Genuíno
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Vi meus pais ficarem velhos... Meus avós virarem quadros... ...meus bisavós tornarem-se lenda, e meus filhos homens feitos...
Meus netos trazem o jeito dos moldes deste lugar. Alheios a tecnologia preservam a geografia edificadas em si.
Não somos nenhuma tribo que vive alheia no mundo. Somos apenas interioranos mistificados na raça patriados de um clã gaúcho.
Neste momento recolho meus princípios interiores e recomponho os valores me transpondo de lugar.
Sou do tempo que o respeito Não era pra ser bonito, Era mera obrigação! Ser justo era dever E a fórmula do bem viver Não dependia de cifrão. Seguimos o dialeto das luas pra colher e pra semear. Seus ciclos nos dava o norte pra não depender da sorte e a hora certa de enfrenar.
A casa do João Barreiro de arquitetura barroca, conforme o lado da boca se sabia das enchentes. Quando o ano era de seca, o barreiro fazia a porta para o lado do sol nascente.
Assim te explico paysano que a massa de nosso tutano tem a essência ancestral... ...Dos homens de cerne duro que trazem as rédeas do futuro nas argolas d’um bocal.
Não nos dobramos ao modismo de rotineiros padrões. Nossas bombachas tem favos e nossas esporas tem cravos pras baldas dos redomões.
Nós viemos de um lugar onde o aperto de mão se mostra a firmeza do braço... ... que a saudade de um amigo se mata cevando um mate, pois quando a saudade bate nada melhor que um abraço.
Sabemos que por trás dos cerros existem formas mais fáceis de dar vida ao pão. Mas preferimos a terra, o arado e a enxada, para o milagre do trigo nos dar a graça do grão. Ainda temos confiança nas palavras e nos atos. Não lavramos escrituras com registros cartoriais... ... pois sabemos que as palavras trazem timbres de bigodes que não precisam de avais.
Por trás de cada olhar, vingam esperanças singelas que não vislumbram ganâncias. Ficam pra cá da porteira os sonhos despretensiosos, restaurados nas molduras dos quadros dessas estâncias.
Falamos ainda em arroba... Medimos os campos em quadras... Adivinhamos as sacas que brotarão nas lavouras...
As tropas que passam lerdas nas estradas desses fundos, se sabe pra onde vai e de que chão vieram... Além dos velhos ponteiros que cruzam assobiando... Como se fossem de casa sem nunca passarem antes.
Por mais que o mundo caminhe sem rédeas rumo ao progresso, eu troteio no regresso, na contra-mão do futuro.
E vou contra a correnteza, pois não busco águas calmas... São geratrizes terrunhas que trazem o campo nos olhos e uma inquietude na alma.
Seu Genuíno...! Fica tranquilo, que aqui o canto dos grilos seguirá nas serenatas, e quando um mocho brazino se “apartá” do rodeio e se ‘’infurná” no repecho... Ahhh, terá um índio vaqueano desatando um “doze braça”, dando boca na picaça inda atada pelo queixo. ...e nós prosseguiremos fazendo taipas, espichando cercas e arando o chão... Dando pouso para os bastos no lombo dos aporreados que depois de "descurinchados" vão pras garras do patrão.
Lhes garanto que esta raça que vos falo e que sustento, jamais frouxará um tento embora o tempo persista.
Seu Genuino...! Fica tranquilo, que os teus sonhos de menino são os mesmos que desquino nas loncas de um couro bueno. Pra os de antes... ...pra os de agora, e pra os que virão depois, estará no casco do boi e no rastro das esporas, os que embuçalam auroras com cicatriz de serenos. Com isso te confirmo que seguiremos altivos, campeadores e teatinos, com filamentos de pampa na mais beduína estampa simplesmente genuínos.