Árvore Seca
Aquela árvore seca desenhava um desespero de mãos erguidas pro céu.
Sem flor, sem folha, sem fruto, encravados na amplidão, aqueles galhos de luto eram gritos de oração.
Antes tempo... num ponche verde de folhas, num descampado solita, foi a casa da esperança, árvore moça e bonita, teve músicas divinas com perfumes de Vergel, teve o baile das abelhas, teve, nas flores vermelhas, bocas com beijos de mel.
Mas um dia... Houve briga lá no céu. Houve facadas de fogo com trovões no descampado… E aquele viço tão lindo foi murchando, se extinguindo, e as folhas foram caindo como lágrimas de árvore chorando a dor de morrer.
Árvore murcha e ferida no descampado tristonho fez-se cadáver de sonho sendo tapera da vida. E lá ficaram chorando, naquela árvore seca, silhuetas de desespero de mãos erguidas para o céu.
Quanta esperança morrendo nas folhas secas do chão e os galhos hirtos se erguendo imploravam na aflição, senão a glória da vida, a esmola triste e dorida de ao menos ter coração. Ao menos ter coração para escutar a saudade da solidão infinita e não sentir-se proscrita tombando morta no chão. Para vencer a ilusão desse desejo sem luz, de fazer dum galho a cruz, do tronco o próprio caixão.
Por isso os galhos mirrados ao céu estão levantados implorando um coração. Em resposta, desceu a benção do céu, árvore seca deu flor, dois passarinhos cantaram nos galhos, rindo, pousaram