Água Boa
Está em cada palavra... Sob a custódia dos ventos o meu silêncio e o intento de perpetuar o meu tempo... Que muito antes do sangue correr nos campos fronteiros dos campos de onde vim já haviam homens guerreiros e seus cavalos campeiros fazendo pátria, por mim...
Fomos todos batizados na mesma sanga, rasinha onde a querência não tinha a dimensão que hoje tem. Água de céu e de campo sereno e grama rasteira que a sanga da pitangueira adoçou de galho em galho numa cruzada de atalho que mata a sede e a poeira.
Arrazoado em limites me vi herdeiro da terra onde a cerca não encerra tudo que tem em seu preço. Não sei, se quero, ou mereço este destino que tenho onde o campo me garante pois aprendi ir adiante por respeitar, de onde venho...
Meus ancestrais retornaram pra me contar do seu tempo com seus escritos guardados em baús de esquecimentos. Apontaram tempos novos antecedendo a visão onde um olhar de galpão e picumãs de aroeira deram a lição, por primeira: - Que é de fechar a porteira e sonhar, com o pé no chão... Talvez, por isso inda hoje eu volte a um tempo distante sem mesmo saber, andante se eu já estive por lá... E paro a me questionar qual a razão que me prende a um passado que não entende que um tempo novo, virá...
Por tudo, quero esta sede pra muitos que ainda virão... Que olhando a cena, me vejo numa tarde de verão qual piá que se “arremanga” e bebe a água da sanga na concha feita com a mão.
Satisfeito... Agradeço mais um dia por respirar a querência que foi dos meus ancestrais... Tomo um gole, depois outro e a água boa, que sobra me escapa por entre os dedos e no seu rumo, se vai...