Estrada
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Pedaço de alma estirado entre o adeus e a saudade... Gaudéria comunidade, parador dos que não param, dos que se desguaritaram fugindo do próprio eu; nesse ritual ateu cruzaram várzeas e montes no mórbido auto-reponte de almas que, num resumo, é o baile eterno dos rumos na orquestração do horizonte.
Velha querência de penas redomadas pela dor, és um atalho de amor na vastidão da saudade. Cancha de toda orfandade aonde o sonho procura - sob esta insana loucura de sempre andejar a esmo, pousada para si mesmo nos pelegos da ternura.
Na procissão dos caminhos, quando a paisagem desfila, ficam marcas nas pupilas dos cansaços e lonjuras; Na distensão das planuras em que repecham lamentos estradas são como tentos tirados da imensidade onde se apeia a saudade que vem na anca dos ventos.
Se há respingos de lua pelas fraldas do arvoredo, falam mágicos segredos na sanga, estrada que canta, afinando outras gargantas para o nativo sarau. É quando o triste urutau, - monge do eterno sofrer, preludia o anoitecer com preces de nostalgias, chairando melancolias nas lendas do entardecer.
Quantas estradas domei com os meus olhos teatinos, couro cru com que o destino embuçalou minha vida. Tanta esperança perdida por corredores afora... Quanta lembrança me aflora - do fastígio ou de misérias, nas reticências gaudérias do retinir das esporas.
Quisera arrancar a estrada da minha vida gaudéria, mas a estrada é como artéria para o meu sangue andarilho! O meu céu já está tordilho! e a vida pela metade, mas por ancestral vontade eu sigo domando estrada, que é a minha alma estirada entre o adeus e a saudade...