Galpão do Pampa
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Meu velho galpão do pampa, Parede beirando o chão. Bem no fundo um fogão, Pra fazer bóia campeira, Cardápio lá da fronteira Feijão, arroz e guisado Canjica e ensopado, Coisa especial de primeira.
É meu recanto do mate, Na madrugada ou à noite, Onde o vento faz açoite, Pelas frestas do galpão. Tomando meu chimarrão, Com minha prenda lindaça, Vejo subir a fumaça Que desprende do tição.
É neste cenário xucro, Que recordo a querência, E vou sorvendo com paciência A seiva verde do pago, Pois trago como legado Quando aquento uma cambona, A velha lata chorona Que tem o gargalo largo.
E dentro do meu galpão Que guardo com muito amor, O velho tirador, Faca, chaira e facão, Panela preta e lampião, Meu chapéu, bota e espora, Coisas que usava lá fora, Nos tempos em que fui peão.
E os espetos pendurados, Esperando uma costela. Ao lado, uma gamela Pra salgar a carne pro assado. E um candeeiro apagado, Pra um caso de precisão, Da pra acender com tição Velha luz do meu passado.
É piso de laje pura Tirada da natureza, Pra galpão é uma beleza, Bem no estilo campeiro, Simples e hospitaleiro, Pronto pra roda de mate Ou um puchero de alcatre, Pra comer com os companheiros.
E oi velho rádio que toca Bugio, xote e vaneira Valsa, mazurca e rancheira Que ouço com alegria, Sempre em minha companhia Com muita simplicidade É a radio liberdade Que escuto todos os dias.
Pois aqui peonada amiga, Despede-se este xiru, Trançando com couro cru Os versos desta poesia, Mês de inverno, tarde fria E o tempo que vai passando, E a gente vai lembrando, O que já viveu um dia.