O Último Doce Amargo
Sentado recluso na varanda da envelhecida choupana Punha-se o sol rapidamente atrás do morro O amargo doce na mão, ignorado Observando as águas inquietas do grande rio, a correr... Correr... Correr... Obscuras águas, com o principiar da noite espelhando o íntimo espírito do ancião! Felicidade e tristeza envolvem os pensamentos do velho homem Memorando a época que ali fez-se O aroma suave do mato ao seu redor Recorda-o as noites repousando sob o véu estrelado O sussurrar das folhas com o vento Lembra-o dos dias frescos de outono o silêncio... Comunica-o de como está desamparado, sem ninguém... Os filhos o renegaram O deixaram só enquanto edificam suas vidas em selvas de pedra não ligam... Não o visitam... Não o permitem participar de suas vidas... O deixaram unicamente com seu chimarrão E as lembranças de uma vida longínqua! Partículas de chuva surgem vindas do céu Lágrimas fluem do rosto do desgostoso homem Lágrimas de solidão ao mirar o que a modernidade fez à sua família Em como a ganância afastou seus filhos Fez, o dinheiro, com que eles se fossem... A aspiração de ganhar mais, sempre mais Os impede de matear na varanda com o pai! Tempo... Tempo... Tempo... Querem sempre mais tempo! Mais tempo para trabalhar, para ganhar mais... Mas o tempo passa... Acontece tudo muito rápido Tão frenético que em um milésimo de segundo... Desaba a cuia ao chão Olhos fecham-se para nunca mais abrir-se Braços desabam sobre a cadeira, sem um último abraço Lábios fecham-se, sem proferir uma última benção! Filhos choram culpando o tempo Alegando não terem tempo, Tempo de viver ao lado do velho pai!