Cordeona Genuína (pra digitais de meu tempo)
Terrunha... Arte crioula... Alma em raízes no chão Feito um materno cordão Sem tesouras por destino Decerto, algo Divino Embora sendo imperfeito Cruz de Cordeona no peito Meu sacerdócio Sulino!
Atemporal ou eterna? Um ancestral instrumento Sopro de alma e de vento Quando em meu peito ressona Dos sentimentos se “adona” E outras vidas percorre Vive... Revive... Não morre! Sempre Genuína a Cordeona!
Bendita imagem do pago, Nos tentos dos cantadores; Sonoros nos corredores Canários na terra Santa, Com digitais na garganta E o que acreditam, no verso Já disse o próprio Universo Que o homem colhe o que planta!
Fui batizado genuíno! E disso não faço alarde Pois de's do ventre, em verdade Fui aprendendo valores O tempo e seus corredores Às vezes os põe à prova... Perdida, não se renova A identidade, senhores!
Identidade é o barro Rancho e nome do Forneiro É o rastro pelo potreiro Contando da chuva fina É tudo que a terra assina - Herança pros tempos novos - No rubro nos Sete Povos É a digital das ruínas!
Genuína história que cresce, Nas pedras mouras de mim… Desde as coxilhas sem fim As várzeas do infinito; Tem cores de céu bonito A vibração das canções, O som maior dos galpões Pra quem cruzar despacito...
Da lenta ronda da tropa, A um baile (terra e candeeiro); Fui Payador e gaiteiro D'es das primeiras pegadas, Palmeando as minhas estradas - Timbradas de botoneira - M'ias digitais são ilheiras Pro ponto da “voz trocada”
Já fui a voz do silêncio Em poesias caladas Nas melodias cantadas Fui tanto mais que esteio Ao demarcar em floreios A geografia Sulina Ganhei o mundo por sina Sem emalar os arreios
Pra digitais do meu tempo, Na marcação do meu rastro… Pampeana - alma de pasto - Campeiro - jeito de chão - Badalo “das Redução” Ruína, sem ser tapera Sonho firmar minha era Com as alças do coração!