Elegia a Patria Amada
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Sombreando a beira da estrada passam os filhos bastardos que a pátria mãe esqueceu, buscam a parte que cabe a cada cristão que vive a semear no que não é seu.
São rudes homens no arado mas por dentro mutilados com vergas no coração, pleiteando chão para enxada que descansada faz covas nos duros ombros do peão. É sol que arde na cara ressecando os sonhos pobres desses eternos andejos, é a chuva fria e calma varando os forros da alma que já tem tantos remendos.
Quando a noite abriga os sonhos dos afilhados da sorte nessas favelas rurais, a Deus confiam suas preces, pois logo o dia amanhece e a estrada não se desfaz.
Num frágil rancho de lona, o vento passa enticando co’a chama da lamparina que se ladeia faceira, e atrás da rala cortina uma doce lágrima rola quando a parteira apara mais um rebento pra vida.
É pena que outras bandeiras, venham buscar nas vielas votos sem terra e sem nome. a inocência trai os pobres, que empossam bandeiras nobres empunhadas por algozes que trocam trapos por ternos e viram os pratos da fome.
Quem sabe n’outro poema não mais veremos as cenas que decompõem tristes versos nesse louco amor transitório, onde ambos vivem juntos, a terra terna desnuda sempre a esperar a muda do beirador de alambrados.
Quando a poeira se levanta, turvando as lágrimas puras que regem as esperanças dos moradores da estrada, crianças pôem-se a cantar, tentando ensinar pra gente que a terra no cio é a amante que o semeador quer amar.
Mas as canções não tem asas como as calhandras cantoras, ecoam pelas lavouras mas morrem pelas calçadas. São como a flor distraída que nasceu linda pra vida mas sufocou-se co’as nuvens sem perfumar alvoradas.
Salve esses homens da estrada, soldados sem farda margeando o asfalto, cruzando o Brasil, cantando a pátria adorada que não dá morada a quem passa co’arado a enxada e o canzil.
Pois é tempo de semeadura, de terra nua, esperança do peão que nunca se cansa esperando o solo e o grão. Menos mal que Deus habita pelas minguadas marmitas desses humildes artistas que pintam sonhos no chão...