Alma em Verso
Poesia

Dos Tropeiros de Mulas

Luís Lopes de Souza

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Proposta não era ofensa pechinchar não era feio somavam as diferenças e repartiam ao meio.

Prosaicos e persistentes... Reculutavam muares nas recônditas estâncias, depois no passo sem pressa de um precário itinerário buscavam pagos distantes, com anseios visionários de aventureiros mercantes...

Birivas...!! Bombachas estreitas de um tom encardido... as botas desformes roídas de estribos... os palas lanudos esgaços de farpas... cor neutras nos lenços imunes as guerras... chapéus desabados surrados dos ventos sombreando ao acaso judiados semblantes...

Nas rotas bruacas de lerdos cargueiros a bóia ligeira de peões ambulantes, paçoca com charque... feijão com toicinho... a farta sustância nos mesmos fiambres...

Sem esquiva a comitiva... descoivarando picadas, singrando arroios e rios, na rota rude e longínqua de esguias léguas infindas... Na frente a égua madrinha como arrastando o cortejo na paciência da cadência de um monótono cincerro .

... rumos selvagens e dúbios ... sertões escampos e vastos... terra rocha sem salitre e desprovida de pasto, a mulada já estropeada com mal de fogo nos cascos...

... a honra do arribador rasteando as extraviadas nos longes de um corredor... ... a tropa trocando orelha inquieta na noite longa e o silêncio sonolento na eternidade das rondas...

No escasso dos descansos a solidão se agrandava e a imagem de alguém distante vinha tirar o sossego, mesmo sem pedir permisso se aninhava nos pelegos...

Mas, restritos na benquerença nunca falavam na prenda nem em família ou querência, cada um tinha um jeito de tratar suas carências sem tristezas nem lamentos... - Quem culatreia uma tropa sabe tapear sentimentos...!

Birivas...!! Sem muita imponência no lombo de um burro, pra homens humildes curtidos nas lides não tinha valia a vâ aparência, sobrava no entanto o orgulho terrunho de Gaúchos serranos e nobres patrícios, razão e coragem na alma tropeira adoçando as amargas e magoas do ofício...

Enfim Sorocaba...!! A pompa povoeira na praça da feira... a poeira estradeira dançando ao vento... na tropa chegada o preço teimoso de homens valentes com mil argumentos...

Proposta não era ofensa pechinchar não era feio somavam as diferenças e repartiam ao meio.

Na volta sim tinham pressa, os lucros nunca encobriam a importância do regresso pois, quem anda longe do Pago reponta sempre com jeito uma tropa de saudade quase estourando no peito...!