Dois Mouros e um Desgosto
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Venho copliando um retorno No lombo de um mouro paiceiro E junto ao costado de tiro Um mourito de primeiro toso Regalo, mui lindo que trago. Pra aquela que deixei em partida Que na infância foi minha vida Nos floridos campos do pago
Na mingua dos meus tantos sonhos Somente um me restou Que as intempéries, não ressecou Por visagens de meigos carinhos
Só peço cumprir minha palavra Que fiz deixada em teus lábios De um dia voltar a seus olhos Com dois mouros, junto a estrada
Com a plata, dos anos guardada E vigor que sobra no peito Erguerei um rancho a teu jeito Qual sonhamos em noite de aguada
Terás lua dormindo ao portal E o sol ao beijar tua janela E ao ver o sorrir, da mais bela Saberei do amor ancestral
Ponho teu regalo tão belo Logo em postura de freio Que pelo andar de entono que tem Trás cismas de parar rodeio
E guapas tardes nos virão Com brisas cantando nos pastos Duas almas lindas nos bastos Caindo a trevais de amor brotarão
Então, o mourito do tiro senta Estirando o cabresto Pela coruja que cruza a estrada Talvez alertando um desgosto Mas, meu mouro firma o caminho Sabendo as âncias do dono Que ao longo sonha um retorno Dos que um dia se virão sozinhos
Relincha o mouro no andar Reconhece ao longe o várzedo E na distante imagem do rancho Mateando aos teus, eu te vejo
Ilusão, tão linda que eu vivia Se a distancia não fosse findar Embaçando o meu rude olhar Ao ver uma tapera vazia
E Junto a tapera sem cor Penso ter errado meu rumo E na grande tristeza que paira Saliva um amargo profundo
Baixando meu olhos ao chão Encontro um resquício de vida Mareteia uma flor colorada Solita agüentando o tirão
E adiante,no aceno mais bruto do arvoredo Que chora esquecido Descansa uma cruz em silencio Firmada ao lenço encardido
E lembro esvaçar ao pescoço De uma linda primavera Sei que é ela, Que dorme na terra E entrego o coração ao desgosto
Volto sofrendo um retorno No lombo de um mouro paicero E junto ao costado de tiro Um mourito de primeiro toso
Regalo mui lindo que levo Pra aquela que se foi em partida Que sempre será minha vida Nos floridos campos do pago.