Alma em Verso
Poesia

Chega de Fandango

Gonçalves Chaves Calixto

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Eu que sempre fui gaudério Certa feita ia viajando De longe fui avistando Num rancho á beira de estrada, Um fandanguito enfezado, E eu... Sem ser convidado, Cheguei, sem saber de nada.

Atei o pingo na frente Porta a dentro fui entrando, Tava lá dentro apreciando... Me veio um qüera e falou... “Carancho da tua iguala não entra aqui nesta sala pois ninguém te convidou”.

Quando ele disse aquilo Eu ia me retirar, Mas depois peguei pensar E gritei. “É desaforo” Eu honro este par de espora, Pra me botar pra fora Terão que cortar meu coro.

Foi um zum-zum pelos cantos Quando acabei de dizer, E já vi a coisa ferver, Um pulou e gritou: “Para!” Quando eu quis entrar no bolo Um pedaço de tijolo Me cruzou raspando a cara.

Dali a pouco já se ouvia Lá pelos cantos da sala, Quebrar bela, estalar bala, Voando cepa de tamanco, Me veio um tal de Chicão, Deu-me um tapa, meu irmão, Passei por baixo de um banco...

Eu já procurava a porta Quando chegou um por traz Nem queira saber rapaz, Me uma no ouvido... Enxerguei tudo bem preto, Vomitei até um galeto Que a pouco tinha comido.

Tinha a mulher do gaiteiro, Uma tal Chica Manuela, Fiquei com “uma raiva dela” Eta mulher desgraçada Passou a mão num sapato E me largou na fachada.

Eu ia me defendendo Até que encontrei um jeito, Saí num buraco estreito Que nem sei como saí, Veio um tal de João da Grota, Me meteu um pé de bota, Cheguei berrar e caí.

Fui meio de quatro pé Até que me levantei. No meu cavalo montei, Me fui, arrancando grama, Depois disso, por favor, Nem queira saber que dor, Passei quatro meses de cama.

Agora já me curei Mas lembro todo o passado, Pois tenho o corpo marcado De tanta tala de mango. Depois daquilo... parei... Baile?... Nunca mais cheguei Pra mim chega de fandango.