Livro Antigo das Estrelas
Uma estrela se desgarra da linda aquarela pintada por Deus, Corta o céu como um corisco e desaparece num upa... Como quem leva na garupa os sonhos dos desejos meus. E com arranjo de guitarras ressonando notas dolentes Promessas ardentes que talvez me levem aos braços seus.
O que descreveria essa estrela ao longo de sua jornada? De certo, as cargas macedônicas da cavalaria de Netto. O nascer de La Chacana pelos Deuses Maias? As proezas das bravatas de gregorianos heróis. Hipólita e suas amazonas do exército de Hera? Ou simplesmente uma velha, abandonada e adormecida tapera.
O que diria a estrela se amasse? Será que conceberia a mesma paixão Do poeta citar a lua, Helena e Alexandre, Romeu e Julieta? Ou meramente estariam no céu a mostrar a revelação Do caminho secreto que leva a Shangrillá Nas aventuras escritas no feitiço de Aquilá?
E quando a noite vai repontada pela aurora A Estrela d'Alva se lança no poente Como guia inconstante dos piragueiros, Com lendas contadas por "abuelos" nas rondas dos fogões, A reverenciar constelações em pouso biriva tropeiro.
Talvez a estrela seja a dona das rimas perfeitas... Das escritas coloquiais de um vasto universo, Q Que se reflete no verso nas águas calmas duma lagoa. A dividir espaços com ás flores azuis dos aguapés... E nos rebojos imaguarés, se misturam ao tempo De um passado presente que já se foi.
Ah... E se ela tangesse as guitarras? Teriam seis cordas arpejando bordões e primas No aconchego das rimas de milongas seculares, Sob olhares das nuvens a fechar os tapumes De mais um celestial espetáculo nas noites com vagalumes...
Pelo céu meridional! O Cruzeiro do Sul é uma porção cintilante Da via láctea em forma de cruz. A rosa dos ventos brilhante, Em coordenadas de sul a norte Nos vários continentes, tentiando a sorte Do sinuoso caminho de um errante.
Em seus alfarrábios, No astrônomo cosmo estelar Anos-luz vão se apagar, E quem sabe um dia virando cometas incandescentes Assim como a alma de gente, Deixarão de brilhar.