De Barro e Capim
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Quão longe se vai o tempo Escorrendo pelas mãos As chuvas, também o vento E o barro feito torrão.
Era assim naquele tempo A rude sobrevivência O rigor do cotidiano E a vida em sua tenência.
Era um tempo que o tempo Nos moldou com sua paciência E o ranchinho era forte Construído com ciência.
Na sua arquitetura Duas abas era assim Muito simples, muito simples De santa fé o capim.
Suas terças de taquara Feito cerne que não verga Lapidando um cenário Que a memória ainda enxerga.
De chão batido o piso Era aconchego e abrigo Guardava o sono noiteiro E protegia do perigo.
Quando chegava visitas Os corações pulsavam ânsias Pra ver teu pátio sorrindo Na algazarra das crianças.
E no dia do retratista? Há o dia do retratista!
Como se há de esquecer? O dia do retratista Que passou por nosso rancho Se achegou feito visita.
Frente ao rancho perfilados Qual uma esquadra de guerra Pés descalços e a humildade Para quem traz o cheiro da terra.
A roupa era domingueira Mas era simples assim Tinha a mesma identidade Do barro e do capim.
O barro? Sim, o barro.
Paredes que eram imunes Para o inverno mais frio Um parapeito erguido Também aos dias de estio.
Nos torrões alicerçados As paredes sem pintura Escreveram tantas linhas E estórias de vida dura.
Ali o primeiro emprego Sem remuneração alguma Colher e varrer o pátio Com vassoura de guanxuma.
Quão longe se foi o tempo Aqui declamo em pé Com força e cheio de vida Ao barro e o Santa Fé!
Sendo assim te agradeço Por ser pedaço de mim Se sou simples eu te devo Meu rancho de barro e capim!