Alma em Verso
Poesia

do quartel dos meus sonhos

Carlos Eugênio Costa da Silva

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CTG Coronel Thomaz Luiz Osório - Pelotas Foi nas tropilhas de osso que compuz meu regimento, e o sentinela atento tinha a forma de um pinhão. A tropa esculpida a mão nos galhos da corticeira e o bem-te-vi corneteiro espreitava na parreira.

Fiz de um pedaço de lata espada pro oficial, homem de garbo e moral lapidado de disciplina. Da vastidão da campina lhe dei coragem e calma e no brilho da espada o espelho de sua alma.

De um sabuguito de milho fiz canhão para os soldados, que esperavam perfilados o começo de sua lida, na manobra ou ordem unida se encontrava a essência, Sargento chapéu de tampa: Tropa.Atenção.Continência.

O quartel, cerca de pedra, tinha o formato quadrado e um galpão bem quinchado com pedaços de capim. Tudo era um sonho pra mim e, aquela hoste guerreira, carregava meu orgulho desfraldado na bandeira.

Na caserna eu encontrava as coisas que mais queria e ao meu comando surgia para qualquer "precisão", uma fiel guarnição que melhor nunca se viu, tendo amizade por farda e sorrisos por fuzil.

E assim foi minha infância, tão séria na brincadeira, pois eu compunha as fileiras da milícia que sonhava, a divagar me encontrava com minha tropa audaz, heróis forjados pra guerra mas sempre buscando a paz.

Um dia então, um combate travou-se sem ter motivo, e a tropa, meu sonho vivo se viu chamada a lutar, o quartel de meu sonhar se esvaiu na ansiedade e tudo então teve fim na guerra da realidade.

Vi quimeras destroçadas e esperanças ao relento. Vi tapera o regimento que de mim era um pedaço. Na alma senti um espaço que me legava distância e no chão, feito um farrapo, a minha bandeira infância.

Nunca entendi o destino por ser cheio de segredos e destruir meus brinquedos levando minha ilusão. Dentro do meu coração somente lugar havia para a tropa de meus sonhos e o quartel da harmonia.

Por isso hoje, ao ver fatos que retratam a violência, a falta de consciência, guerra generalizada, a alma fica apertada com motivos pra chorar. Que pena que a realidade não deixa a gente sonhar.