Alma em Verso
Poesia

Coplas de Esperança pra alentar um Andejo

Carlos Eugênio Costa da Silva

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Sei que um campeiro aguenta os sofrenaços da vida mas não há maior tristeza que o momento da partida. Quando a emoção nos invade e as lágrimas da saudade emolduram a despedida.

Parece que não faz tempo que deixei esta saudade se aquerenciar em mim; ou talvez não seja o tempo que meça uma saudade, mas sim a intensidade do apego que se tem, do carinho, do amor, da amizade, do valor que se dá a algo ou alguém.

Esta é a sina dos que sofrem quando deixam sua terra, o coração entra em guerra pelo destino traçado e na mágoa estribado segue um caminho obscuro tendo os olhos no futuro mas enxergando o passado.

A gente sempre retorna pra onde o coração não se atreveu a sair. Vai-se o corpo contrariado pela avidez do destino, mas o pensamento fica se negando a seguir: A gente sempre retorna pra onde o coração não se atreveu a sair.

É igual uma Curucaca que solta um grito faceiro ao avistar o pinheiro no momento de chegar, sabe que pode pousar em qualquer um deste pago, mas pra aquele tem afago pois aquele é o seu lugar.

A gente sempre retorna pra onde o coração não se atreveu a sair. Pra onde a nossa infância forjou o nosso caráter, onde a lembrança dos nossos ainda se faz tão presente mesmo em recordação. A gente sempre retorna pra onde fica o coração.

É qual o pinheiro grande que por mais enraizado rende-se um dia ao machado que dá fim a sua existência. Parece perder sua essência, num fogão queima, se espaça, mas em forma de fumaça ruma pra sua querência.

Este é o destino do andejo que busca se encontrar, fica na angústia a campear motivos pra remembrança, o pensamento se lança e pra enfrentar a realidade se estriba na saudade, pois saudade é esperança.

A gente sempre retorna pra onde o coração não se atreveu a sair. Vai-se o corpo contrariado pela avidez do destino a campear outros caminhos, mas o pensamento fica se negando a seguir. A gente sempre retorna pra onde o coração não se atreveu a sair