Campo a fora
Publicado em
Quando me dei por conta A vida potra ia de cola alçada campo a fora.
Ponteava uma tropilha de quimeras, Gavionando – ventena – nos varzedos; Sem o som do cincerro das “madrinhas”, Sem marcas de bocal ou de colheras.
Corria em liberdade, Sem os medos Que vão nos ressabiando, e que são tantos.
Sues cascos pisoteavam meus espantos Entre as flores silvestres da alegria Que costumam pintar as primaveras.
Mas a vida se doma, Como os potros! Alguns se amansam, Se aporreiam outros; Nenhum escapa as garras por bravata. A mão que nos castiga ou nos maltrata É a mesma que nos põe mel na boca. Se a lida não é mansa E a sobra é pouca, Que nada é para sempre – já se sabe.
E o que não tem agora serventia Tanto faz Que mais dure... ou que se acabe.
Os sonhos que escaparam das potreadas Já não posso volteá-los, novamente. Mas pouco importa o que não tem remédio - é olhando pra frente que se avança! Seguem nascendo outros; Num repente, Tenho outra tropilha E bem mais mansa.
Viver é uma tropeada das compridas; E só vivendo é que se entende a vida. Tropeiro e domador, Arreando a tropa no rumo que o destino estabelece. Pra o coração “ronceiro”, calço esporas. Se ficar velho, por minha idéias. Não choro o que o passado leva embora; Vou domando outros sonhos no presente.
Bagual bruto, rebelde de saída ( só tapeando na cara obedecia! ) talvez chegue domado ao fim da lida. Pois nada ensina tanto como a estrada. E muito aprende quem não sabe nada, Tropeando as penas E domando a vida.