Toada de uma tarde de inverno
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Hoje o inverno erma a campanha Dói no subúrbio pobretão. Gelado, o vento arreda a porta E mal aviva a brasa morta Que arde na cinza do fogão. Meu pensamento alerta e ágil Recorre o mundo ouvindo e vendo Vai como um chasque num relampo Varando rios, cortando campo Como um campeiro recorrendo. Volta e me conta o pensamento: - Vi o rancho e o drama do casebre Quanto velhinho jejuando, Quanta criança tiritando, Alguns no látego da febre. E os poderosos desses mundos, Ávidas garras de caranchos Prontos ao golpe à inerme presa. Fecham os olhos à tristeza Que ronda as horas desses ranchos. Bom Cristo ! Um dia, de rebenque, Lanhaste o lombo aos mercadores. Jesus ! Agarra os fala-larga, Torna mais leve a dura carga E mais humana a sorte amarga De tantos pobres sofredores.