Nos Olhos de uma Saudade
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São estas tardes assim Que me fazem pensador. Lúgubre! Percorro a estrada Menos caminhada. A dos meus adágios.
Fecho um palheiro a preceito, E vou tomando um mate, bem sentado. De fronte ao galpão da estância.
O sol se "planchando" no horizonte. O vento vem escabelando os cinamomos Na frente do potreiro.
E como as folhas... Meus pensamentos vão caindo No chão dos meus recuerdos. E dançando soltos.
Uma a um.
Ainda vejo alí. Prostrado, Bem no recôncavo Onde o cusco fazia a sua sesta.
Um guri, José... Nome de pai, Jesus... Nome de filho, Da Silva... Ali do Caverá.
Brincando com sua tropa miúda. Toda feita de ossos de cola E de garrão.
Este guri era eu, Num atavismo intrínseco, Arraigado em sua sublime Inocência de piá.
Correndo atrás do guacho de cola comprida, Esperando o pai vir com os ovos de quero-quero, Guardados na copa do chapéu.
Sem saber que rumo à vida aponta A cada um de nós.
O mate ronca e me traz de volta. Prendo o grito pro Claudionor: -Tu que não é canhoto Encosta a cambona no tição, Que eu vou dar um tombo Na erva.
Aproveito e vou Buscando outro recuerdo. Lembrando a minha juventude. A primeira doma.
Uma zaina pata branca, Que era do filho do meu patrão. Bocal com rendilha, Basto paysandu, E relho de papada de touro.
Tudo que eu precisava Pra primeira pega.
Vinte e um dias e... Pronto pra montar, Mais três sovas E só faltava pedir bênção Pro dono.
Saudade é a falta do passado, Que se materializou Na memória do presente.
Mas não troco As minhas lembranças por nada!
Meu pai compartilhou comigo, Os segredos e rumos Dos bons conhecimentos Da lida campeira.
E assim aprendi, Fui crescendo e vendo como as Coisas se procedem...
Os ensinamentos Estiveram sempre presentes... O "Buenas Tardes"! Sempre foi cobrado, Assim como Os ensinamentos do laço.
Meus pais foram meu espelho... E minha rocha forte, Assim como sou para os meus.
O tempo passou açodado, O contragolpe dos rumos E a beligerância das coisas, Fizeram-me homem.
Hoje sou um prócer dos meus rebentos.
E tudo que passou me serviu, Pois tenho uma vida profícua Aqui no campo.
E não abandono à campanha por nada! Ela é ingente... E como tal serve para meus filhos. E pros filhos dos meus filhos...
A minha "pátria chica"! Vejo que, Tudo que me trouxe até aqui Faz parte de mim.
A minha vida é esta! Campo... Essência de tudo, Meu início, Meio e fim.
Assim como meus pais... Junto com a minha mulher Criei meus filhos.
Sou grato, Ao verde da pampa, Ao azul do céu, Ao vento na cara!
Sou gaúcho de fato! De alma pampa, Inteira...
O ontem me mostrou, Que a querência É o mundo da gente.
Olhei nos olhos da saudade E vi que não estava mais só, Esta estava junto a mim.