Conclusões de um Decimista Solitário
Solidão é se sentir, rodeado de ninguém é não ter quem querer bem por quem ficar ou partir é não ter pra quem sorrir não ter a quem dar bom dia levar a vida vazia não tendo a quem dar conselho e só sorrir ao espelho, fingindo ter alegria.
Solidão é cevar mate, pra matear consigo mesmo largar pensamento a esmo quando a saudade nos bate travar no peito um combate com a alma estraçalhada sentir que é madrugada que está clareando o dia a cambona está vazia e a erva está lavada.
Solidão é dialogar sem ter interlocutor na conversa contrapor responder e perguntar é ouvir sem escutar é retornar sem ter ido é falar sem ser ouvido no mais completo abandono é adormecer sem sono e acordar sem ter dormido.
É se perder numa busca buscando o que não perdeu é adentrar no seu eu onde a lembrança se ofusca numa tentativa brusca de libertar-se do passado sentindo o gosto salgado que o olhar trás na vertente e abraçar um ser ausente com a solidão ao seu lado.
É sair na multidão e procurar companhia pra ver se a melancolia se muda do coração e descobrir no entanto que fechou-se o paraíso e quem tentava um sorriso voltou enxugando pranto.
Ter na memória o momento em que viveu mais feliz ver que secou a raiz da bonança do alento e brotou o sofrimento da profundeza da cova que a saudade em desova matou o verde que tinha igual a erva daninha arruinando a safra nova.
Mas também um solitário busca força na desgraça enrijecendo a carcaça muda seu próprio cenário se entrinchera no calvário numa coragem medonha une amor-próprio, vergonha sofrendo porém sereno descobre o contra veneno pra tudo quanto é peçonha.
O amargor da tristeza ensina a alma ser dura deixa a consciência madura e o coração com destreza age com mais esperteza já vou! passa a ser “espero” talvez, no lugar de quero! Não se anseia se algo tarda e aprende a baixar a guarda só quando o amor é sincero.
É uma xucra academia na formação do vivente só aprova o competente que possuir teimosia porque a solidão judia magoa, fere, maltrata, nos golpeia com chibata nos mantém enclausurado inerte, roto, acabado mas porém matar não mata
Quem já venceu esta etapa com certeza teve fibra e agora se equilibra com a alma muito mais guapa já é um ponto no mapa já vive por si somente não depende de parente de parceria ou mulher e se nem a morte o quiser pode ficar pra semente.