Alma em Verso
Poesia

Verso e Reverso de uma Medalha de Guerra

Carlos Omar Villela Gomes

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Tremem minhas mãos neste momento, A voz que chama tem um timbre ácido... O espelho frente aos olhos refletindo as cores De uma bandeira linda que empunhei sem medo.

Não escuto nada, alem desses trovões de guerra E tambores surdos ritmando os passos... Cavalhadas loucas num lançante abaixo E escaramuças plenas de paixão e terra.

Quais ferimentos me castigam mais? Do corpo, da alma, da lembrança? Não sei dizer o que me encurrala... Os talhos feios que guardei no couro Ou os tormentos que inscrevi na alma.

De tudo isso, me restou um dote, Uma honraria, por haver peleado... Dos tantos golpes de uma adaga fria O grande prêmio se mostrou um dia Numa medalha de metal dourado.

Honra ao mérito, está escrito em sua fronte... Honra ao mérito, frase tão singela... Honra ao mérito aos homens de coragem Que construíram pátria, que conquistaram sonhos, Desaguando historia pelos rios do tempo.

Honra ao mérito, está escrito no metal... Lindo seria, não representasse golpes, Não sacrificasse vidas, não recompensasse feras... Fui um dos que lutaram, que sonharam, Que sofreram a dor mais aguda Por fazer o certo da maneira errada.

Lutar pra construir nações, Lutar pra defender ideais... Lutar pra garantir seu chão, Lutar pra encontrar a paz.

Necessário talvez, mas tão tristonho... Que preço alto me cobrou a vida, Que jeito amargo de buscar um sonho.

Honra ao mérito, está escrito na medalha...

Terá honra em matar, mesmo de frente? Terão mérito o chumbo e a criolla Se os inimigos que enchemos de peçonha Fora os lenços de outra cor, são nossa gente?

Honra ao mérito, no prêmio que rebrilha... Antes fosse conquistado com ternura... Honra ao mérito por saber semear doçura E não por sangue derramado nas guerrilhas.

A medalha queima em minhas mãos cansadas Como se o peso de toda a historia recaísse sobre mim...

Mas a esperança não chegou ao fim... Olho pra os lados, vejo coisas belas, Ginetes buenos com seus potros ágeis, Moças risonhas a enfeitar janelas.

E esta medalha, o que fazer com ela?

Jogo a medalha rumo ao céu, e junto dela Todas as dores que me cortam fundo... Adeus às chagas que colhi no mundo, Adeus às sombras que me desesperam.

Honra ao mérito, esperança remoçada! A mão de um anjo fez do meu lamento Mais uma estrela pela madrugada. Honra ao mérito, ecoa em meu destino, Buscando alento pra o perau malino De uma medalha de ilusão dourada!