Caetana Garcia ‘Uruguaiana’
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Sou menina, sou mulher Cheia de mediunidade Encarnei Caetana Garcia Heroína de verdade.
Aqui faço a regressão Me torno essa personagem Da minha infância uruguaia Cada fato, cada imagem.
Entre o Uruguai e o Río grande Infância e adolescência Bebendo a cultura pátria Onde vou faço querência.
Então me vejo mulher Sentindo ânsia de amar O verdor dessas campinas Carrego no meu olhar.
Completo dezesseis anos E conheço meu general Juras de amor e de honra Na união matrimonial.
Tenho flores, tenho espinhos No meu projeto de vida A "Uruguaiana" do Bento Flor cheirosa e destemida.
A menininha de Melo Se faz mulher do amanhã Como num conto de fadas Fazendeira em Camaquã.
Já sou Caetana Gonçalves Para amar e querer bem Por ser mulher de soldado Serei soldado também.
Trinta e cinco traz a guerra Vem pra testar quem é forte Eu "soldado" não me assusto Nem me acovardo pra morte. Se o general vai ao front Em casa cerro trincheira Nos anseios das esperas As estratégias guerreiras.
Oito rebentos na volta Três moças cinco meninos De Caetana e o General Oito guerreiros genuínos.
A peleia da mulher Na fazenda é diferente Hora remenda bombacha Hora na cura de doente.
Quartos da casa, galpão Tudo vira enfermaria Sem perder o fio da meada Caetana assim combatia.
Para quem luta pela vida O conforto da oração E pra quem não tem mais jeito A fé na extrema unção.
Assim Caetana guerreira Foi mulher e foi soldado Fazendo de Camaquã Um grande posto avançado.
Saio dessa regressão Volto a ser doce menina Peleando pela cultura Da minha pátria sulina.
Sou parte daquela guerra Sou a doce "Uruguaiana" E como toda gaúcha Tenho muito de Caetana.