A Zaina dos Meus Arreios
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Eu era um pouquinho mais Que uma criança inocente Quando ganhei de presente A musa dos animais Égua que em termos gerais Era igual uma pintura Marcha doce, anca dura Gravura pra um almanaque Uma Zaina de destaque Linhagem crioula pura.
Obediente, marchadeira Sempre de pelo escovado O casco era bem groseado No serviço era ligeira Fosse pra lida campeira Ou em domingo um passeio Afamada pra jardeio Possuía um olhar veloz Reconhecia minha voz Mansinha de rédea e freio.
Se fez minha montaria Da família a predileta Deixando a vida completa Nós formamos parceria Meus comandos atendia Tinha uma baia só dela Atenta igual sentinela Tosada de crina e cola Quando eu chegava da escola Proseava muito com ela.
Juro que ela me escutava Demonstrava entendimento Lia até meu pensamento Quando por lá me achegava Ligeiro a tarde passava E deixá-la era um castigo E em verdade vos digo Nunca me provocou tombo Se me punham no seu lombo O restante era comigo.
Papai prometeu pra mim De realizar meu sonho E falou sério, eu suponho Filha, faremos assim
Em setembro tem clarim E o Rio Grande inteiro brilha Terás uma linda encilha Capa igual uma sotaina Pra desfilares com a Zaina Na semana farroupilha.
Nunca mais dormi direito Sou só expectativa Me vejo amazona altiva Portando um traje perfeito Imaginando o efeito Que vou causar na assistência Sinto que sou a essência Ao montar de fronte erguida Percorrendo a avenida Orgulhando a minha querência.
São meus sonhos de futuro São minhas metas pessoais Nas festas tradicionais Andar num tranco seguro E nesse transe eu procuro Honrar a pátria sulina Sou gaúcha genuína Com responsabilidade Civismo e identidade Sem deixar de ser menina.