Alma em Verso
Poesia

A voz da estrada

Lauro Teodoro

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Juntei pela estrada da vida os cacos de minha infância, fui cavalgando as distâncias, do passado até o presente, pra falar o que a alma sente, fui semeando com liberdade, a terra me deu majestade, colhendo a melhor semente.

Contei os anos na estrada que se passaram por mim, e fui aprendendo assim, os limites da essência. Conhecendo a sobrevivência, na carreta do peito nobre, a minha herança de pobre, pelas estradas da querência.

Me cruzei com a miséria na boca dos excluídos onde os sonhos perdidos se misturam com a poeira que não passam da porteira pra sonhar com uma invernada vivendo a margem da estrada deserdados, de eira e beira.

Por vez ouvi voz das cruzes, que pediam por clemência, das almas que a existência, por vez não santificou. E rondando por ali ficou, de sentinela nas coxilhas, talvez a de um farroupilha, que pelo pampa tombou.

Passei por muitas encruzilhas e quase fraquejei no chão, mas resisti a cruel tentação, da ganância, ódio, e do desatino. Porque desde quando menino, fui humilde, justo, e guapo. E talvez tenha o sangue farrapo, nas veias do meu destino.

A estrada me envelheceu e o tempo não volta a traz, nas trilhas que a agente faz, nasce o pasto e cobre o capim. Que se apagará no tempo assim, Mas na estradas da ilusão, os sonhos semeados chão, ficam pra quem passar depois de mim!!!