A Doma
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A lua foi testemunha, Já quase clareando o dia, O redomão Ventania Não aceitou o baixeiro. Bufou ao sentir o cheiro Das garras do domador, Num jeito provocador Se parou “embodocado” E quando foi apertado Saiu semeando pavor.
Depois que as coisas chegaram Aos seus devidos lugares, Saltava grama pra os ares No compasso da “soiteira”, É lindo ouvir a zoeira De um ginete que se agarra E, pra completar a farra Um “pi bi bi ú hu hu “ E o rabo de tatu Num floreio de chamarra.
Pois bem, agora sou eu Que te convido, gateado, Tu me tiraste apurado Com o primeiro “corcovo”, Com esta tunda te provo Que leva por merecer, Quero fazer tu perder Esse teu jeitão de louco Porque senão, daqui um pouco, Tu periga me vencer.
Dava gosto ouvir a prosa Do ginete conversando E o ventena se apoucando, Num repasso de chilena, Se terminou o pavena, Metido a bicho-papão, Quando voltou pra o galpão Não era o mesmo gateado, Tranqueando devirilhado, Quase de rédea no chão.
Cavalo, às vezes precisa Levar algum corretivo O instinto primitivo Insiste em libertá-lo, É por isso que o cavalo, Desde o primeiro floreio Precisa levar um costeio, Fincar-lhe num pau-de-arrasto, Depois, em baixo do basto Ele conhece o arreio.
Gosto que o potro conheça O assobio de macaco, Por mais que seja velhaco, Cheio de baldas e manhas, Acostumado co’as ganhas, Metido a corcoveador, Às vezes, manoteador, Sem perder uma parada, Cada dia, uma encilhada, Obedece ao domador.
Primeira sova, segunda, Depois, cavalo de freio, Que na quina de um rodeio, Ganha medalha de ouro, Flor de cavalo, de estouro, Bom de rédea e fachudaço, Sabe encostar pra um abraço, Sabe fazer galanteio, Quando chega num jardeio, Ensina a atirar o laço.
As prendas gostam demais De ver o seu pretendente, Quando chega sorridente, Numa manhã de domingo, Montado naquele pingo, Enfrenado com capricho, Quando passa no bolicho Ele redobra o entono Porque sabe que o seu dono Vai rever o seu cambicho.
Conhecimento na doma, Coragem e habilidade, Com toda a modernidade Servirão de ensinamentos, O velho laço nos tentos, Poncho emalado e chapéu, Cabresto forte e sovéu Serão o seu passaporte Pra aquele que tiver sorte De apear na porta do céu