5. Dos Domínios da Paixão – Edson Spode
I Estância da Poesia Crioula - VirtualPublicado em
Paixão....força rompante Trovão estouro, lampejo Tem por tempero o desejo Nos olhos só o que convém Ouvidos nem mesmo têm Nas falas contos de fadas Suas ganas não controladas Destroem a gente também.
Usa o caminho da cisma O egoísmo por conduta Em seus intuitos astuta Por seus estragos visível Torna a razão impossível Escraviza a nossa mente De sabedoria é ausente Correspondida, invencível.
Da ilusão se alimenta No ciúme se embriaga Com o tempo se apaga No beijo ela se inflama Faz o céu em uma cama Seu inferno é a rejeição Para ter um sim do não Pode fingir que nos ama.
Leoa quando em repouso Confrontada é serpente Para si mesmo ela mente Se a verdade não convém Aos conselhos seu desdém E suas posses em sua cela Não se dá conta que é ela Tanto a bandida e o refém.
O controle é o seu deleite Por seu alívio usa o choro A intriga como socorro Se a sua máscara desliza Qualquer conduta avaliza Na instância do desespero E as feridas de algum erro Seu rancor não cicatriza.
Traída é ódio mais puro Em frequência destrutiva Lança no breu sua ogiva De proporções nucleares E nos trajes mais vulgares Em seus palcos de vingança Devasta tudo que alcança Com a fúria dos sete mares.
De um lado brota mais forte Raramente ela se equaliza Porque no outro se idealiza Em seus devaneios velados E entre os martírios calados Sua dor intensa é que ensina É a forma da instância divina Cobrar cada um dos pecados.
Na convivência desgasta Pois, ilusões são desfeitas E suas manobras trejeitas Já não encontram janelas Quimeras doces e belas Brilho de outrora quasares Pelas profundezas dos lares São luzes brandas de velas.
Quando adentrou nos palácios Moveu aos céus e a terra Travou batalhas, fez guerra Por seus conluios ao poder Porque na essência do ser Que a paixão faz morada E sentindo ser derrotada Prefere matar ou morrer.
Mas fez coisas grandiosas Que seus feitiços moveram E se paixões se esconderam Brotaram versos das dores Dom Quixotes e escritores Eternos poemas floridos Que até hoje ainda relidos Emanam cheiro de flores.
E nas cicatrizes do mundo As lavras de paixões tortas Porque jamais usam portas No acesso cego as vontades Tomam para si as liberdades Que depois dividem ao meio Mas no incontrolável anseio Ficam com as duas metades.
Por isso essa força rompante Deixa visível os seus danos Fogo na vida de humanos Preceito mais certo de dor Seu misto egoísmo e furor Só busca as suas ambições Mas todo o mar das paixões Não faz uma gota... de amor.