Alma em Verso
Poesia

Visita Pra Boca da Noite

Moisés Silveira de Menezes

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Com perfeição recortada junto à linha do horizonte vislumbrava-se da estância silhueta em cor escura de cavalo e cavaleiro. Aquarela em movimento num galope rumo as casas naquele final de tarde já quase boca da noite. Por sobre o ombro do taura baeta em rubro fulgente do campomar drapejando.

Formatou campeira estampa quando esbarrou na porteira. Sobre a nuca o Ramenzone descobriu o rosto trigueiro meio celta, meio bugre. Apeou num upa o andante passos lentos, porém firmes enveredou pro galpão. Voz pausada, timbrou grave um – “Buenas noches señores” ... assomou soleira adentro como se fora de casa.

Meia dúzia de semblantes com cautela o receberam uma acolhida fidalga, porta aberta aos caminhantes. sorveu um gole de branca de abrir baús de memória, sacou a Guazuvirá pra falquejar um criolo. O mate fazendo a volta ditos, chistes e relatos entrou na noite e na prosa ao som de um pinho orelhano.

Andava longe de há tempos quando no mas, sem motivo, teve ganas de volver, rever os campos, os cerros, os matos, beiras de sangas, pois, nascido em São Domingos, ali vivera até os vinte. Depois o mundo ... tempo andado ... de repente deu-se conta que nada apaga o passado, a vida empurra pra frente saudade manda voltar

Lembrou noites de ronda tropilhas e gadarias em especial dois pingaços de topar qualquer apronte, um salgo rosilho moro e um zaino negro estrelado. Amigos ... muitos lembrados indagou de algum até... um ruivo mui entonado que viera do Quaraí mais quieto que mato grande alma de campos e rios.

Um “loco” cria da estância desencadeava da idéia sextilhas de boa rima costeando um ar de milonga. Brasas de angico e pau-ferro avivando labaredas... a noite nunca se apressa nesses serões galponeiros. Entre causos e cantigas, calam-se vozes e sons, o tempo meio que para, pois um verso impõe silêncio.

Já bem alta madrugada meio ante-sala da aurora cupinudo como um cerro chimarrão pra um novo dia que um galo saúda solito num canto de tiro largo. Cada qual toma seu rumo hay lides e que fazeres. Os versos, encantos, magia voaram junto ao andejo que chegou... boca da noite e se foi... clareando o dia.