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Ontem, lembranças tuas vieram passear no meu rancho trazendo ânsias pra o pouso. vieram também as estrelas e a lua –terna parceira- uqe por conhecer meu semblante, deixopu de estar tão distante, pra contracenar co´as flores que representavam tristes no palco da minha janela.
Abri rancho e coração, Que já são quase tapera, Enclausurados na espera De alguém que lhes bata a porta, Pois mil fantasmas se esgueiram Na orfandade de minh´alma, Mil tropas imaginárias cruzam no vau dos meus olhos... se vão! Como loucas nuvens ludibriando os açudes sedentos pelo teu choro; e aqui, no regaço onde me encontro; ninguém pára pra o descanso, ninguém vem saciar a sede e os retratos na parede sorriem para o meu pranto.
Mas teus poemas chegaram, Ouviram os meus lamentos E viram dor no meu silêncio, Uma dor que inibe a prece. - Pra que falar, quem padece, Tendo seus olhos quebrados.-
Os sonhos vão acordando conforme o tempo se esgarça, e os desenganos e as guascas vão se findando em saudade, quando o medo de ter medo encilha o vento - covarde - e vem nos finais de tarde para roubar meus segredos. - Tudo que tenho –
Poeta do “Entardecer” Que envolve em odes “Ressábios”, Se pudesse com tua pena Reescrever-me em poemas!... De certo por bom artista transmutarias meus feitos!
Habitarias meu rancho! E essa tua “Alma de poço” Que ainda tem água, e muita... Afogaria minhas mágoas, Enxaguaria meus olhos E abençoaria meu canto.
Ou quem sabe – só por deboche – Dirias que fui do mundo Com glórias de bom ginete, Que tive amigos e “Suerte” Pra o truco e pra os cambichos, Que me agradavam bolichos E domingos de carreira, Quando as botas garroneiras me carregavam pras vilas, onde escasseavam meus pilas sobre os ponchos desbotados. Que andei gastando esperanças porque sobrava confiança nas patas de um mau cavalo...
Que pena! amigo poeta Que tua “Pena é de aço” E só amenizava o cansaço Dos personagens que crias...
Hoje, eu esmolo teus versos Aquém do frio das calçadas E sinto em cada palavra Que tens grande o coração.... Pois eu, que gastei esporas E potros e cordas cruas, Ando campeando ternuras Pois aprendi tua canção.
As lembranças vão minguando Porque a aurora atropela; A saudade mete a cara E esbarra na minha cancela Traz mais um verso na mala E um “sol de maio” atrás dela.
Se um dia encontrares versos mais belos que são os teus Olha pra o céu, agradeça, É um pai mandando lembranças Escritas com penas brancas, Num telegrama celeste Timbrado co´a mão de Deus.