Velho Tata
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Golpeio mais um amargo Bugra seiva de lembranças Rememoro tuas andanças As peleias, teu encargo O sem fronteira pampa largo Num ritual de índio vago E os causos do meu pago Em tua charla, velho tata E o meu chasque, nesta data É o presente que te trago
Velho índio da raça Das mais crioula do pago Seus conselhos, um afago Pra rude alma do guasca Qual um potro, que se tasca Pras plagas da liberdade Foi pai, se fez verdade Pelas sendas da vida Foi a luz, se fez guarida E o pendão da igualdade
Lembro pai, tempos antigos E tão longínquos das eras Dos entreveiros, dos cueras E da payada dos amigos Do guri, sempre contigo Parido pobre e sem luxo A brincar de ser gaúcho A galope na paleta Ou faceiro na carreta Altivo e firme, ao repuxo
E neste mundo matreiro Que peala o índio maula Tu sempre destes aula E fostes rumo e luzeiro O mesmo peão campeiro Nos solavancos da lida E a certeza que a ida Era o começo da volta Pro teatino que se solta A lo léo, por sua vida Este xucro verso que nasce Do fundo deste meu peito É rima, sem preconceito Ao charlar, a tua face E se o mundo se amasse Como eu juro que te amo Não haveria o profano Sem Jesus no coração Nem o desprezo à coloração Escura de nosso irmano
Melenas brancas ao vento Semblante altivo de guasca A cor de bronze da raça No lombo, coriscos do tempo Um autêntico regimento De bombacha e de a cavalo É a prova do que falo Dos rudes guapos de outrora É legenda, pro agora E um livro aberto, que pealo
Viveu ano após ano Neste pampa que se narra Num ranchito de taquara Ou num galpão, soberano Foi andejo haragano Nas revoltas, foi soldado Sem nunca deixar de lado Seus irmãos, fracos ou pobres Contra a tirania dos nobres Neste chão, pátrio e sagrado
Valente, bravio caborteiro Desde a infância querida São adjetivos da vida Deste gaúcho campeiro Deste taura altaneiro Que o meu verso retrata Falo de meu velho tata Com carinho e com respeito E sinto o pulsar do peito Ao te abraçar, nesta data