Um Chasque para dom martecell
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Vejo descendo a canhada Um tordilho nevoeiro, Num tranco largo, faceiro, Estampa quarto de milha Assobiando sobre a encilha Um gurizote campeiro Vislumbro sob o sombreiro O Rio Grande em miniatura Pois a pequena figura Que frente a mim se agiganta É o pago que se levanta, Multiplicando a estrutura.
E quando boleia a perna, No abraço que nos irmana, Vibra a alma campechana Em perfeita identidade, Pois se abraçam, na verdade, Diferentes gerações Unidas por tradições Que o tempo não modifica; Somente a cultura explica E a história reverencia A singular geografia Que o gauchismo unifica.
Sinto a emoção nesta hora Tomando conta de mim Ao ver um guri assim, Cruzando a pampa a cavalo; Pra mim é mais que um regalo, Me orgulho em ser teu amigo, E quero, junto contigo, Reescrever nossa história, Recompor a trajetória Dos nossos antepassados, Pois quem herdou seus legados Guardará sua memória.
Bisneto de Lavra Pinto, Tens o Rio Grande por lema; És parte, do mesmo poema, Que o velho Lavra escreveu, E a missão que Deus te deu Nesta jornada terrena Por certo não é pequena, Pois tens muita fidalguia Do campeiro, a simpatia, E a pura hospitalidade E tens sensibilidade Pra entender uma poesia.
Em cada vez que te vejo No tordilho nevoeiro Enxergo o Rio Grande inteiro Formando linda figura; A mais perfeita escultura Talhada por mão divina, Quem faz do arreio uma sina, É livre por excelência A liberdade é a essência Onde repontas anseios, A recorrer os rodeios Espalhados na querência.
Quero que saibas, parceiro, Que vejo em ti o simbolismo, Do mais xucro nativismo, Herança da pátria Pampa; Admiro tua estampa Por tudo que representa, Meu coração se contenta E salta dentro do peito, E ao ver-te assim, deste jeito, A cavalo e bem pilchado, O Rio Grande engalanado Já se dá por satisfeito!!!