Tres Pandorgas que nao Tive
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Era a rainha do céu, Na sua policromia, Baixava e logo subia Numa cadencia orquestral. E de repente, a tristeza Um vento chegou de surpresa E a despedaça total.
De novo voltei ao nada, E sem ter o meu brinquedo Mas resoluta e sem medo Busquei a minha verdade. Na minha anciã incontável, No meu querer indomável Construí a liberdade.
Essa era a mais bonita, Bem mais linda que as outras. Na sua garra de potra, Mostrava soberania. Mas o destino zombeteiro, Irônico e traiçoeiro A prendeu na galharía.
Hoje, sofrida dos tempos, Resignada calei. E nesta vida acordei Com o eco dos meus ais. O sofrimento de autorga, De não brincar com pandorgas, Construí-las... nunca mais.
Aprendi fazer pandorgas No verdor da minha infância E as construia com ânsia De vê-las donas do espaço. Dominadoras, princesas, Colorindo a natureza, E levadas por meus braços.
A primeira construída, Lhe dei o nome de sonho, E hoje, triste, aqui me ponho, Lembrando quando partiu. Foi na direção do infinito, Levando o sonho bonito, Quando a linha se ruiu.
Chorei ao vê-la sumir E onde parou? Eu não sei. Mas de novo me entreguei, Em mais uma construção. Fui juntando o necessário, Como as contas do rosário Pra aprontar uma oração.
Terminando meu oficio, Botei a pandorga no ar E ao vê-la cabriolar Eu deixei de ser criança. E assim, na adolescência, Obedecendo a consciência, A batizei de esperança.