Alma em Verso
Poesia

Invernadas do Tempo

Tonia Mariza Frizzo

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Ela vinha, Do fundo das invernadas do tempo. Trazia, Amealhadas na tarimba do peito, Perdidas lembranças Da invernada do tempo criança. Tempo de ter amigos, Tempo de cantar, Tempo de brincar, Tempo de rir. Nas cinchas desse tempo, Ela apenas cantou, E pouco sorriu. Seu tempo de ser criança, Não teve amigos, Brincadeiras de roda, Ou, amarelinhas, Foi tempo que esteve só. Naquela invernada, Do seu tempo criança, O Bom Velhinho, De barbas brancas, Legado dos pagos distantes Cobertos de neve, Dos seus ancestrais Ali, na simples morada, Jamais se achegou. Quando ela, inocente,, Perguntava: Porque? Sua avó então dizia: “Era longe, muito longe”. Ele, não tinha tempo”. Mas, quando o sol Parava rodeio nas tropas da noite Do amanhecer de Natal, Das frestas, sem mata-juntas da tosca morada, Ela via as crianças Da casa vizinha, Agitando nas mãos os brinquedos, Deixados na noite de luz. E olhando as suas Que estavam vazias, Ela, que não entendia, Na sua inocência Pensava...mas... ... era tão perto...tão perto! Cruzando a invernada Do tempo de jovem, Ela fez semeaduras Em horizontes largos, Onde os primeiros raios de sol, Desciam suaves, Formando diamantes,

Do límpido orvalho Que o poncho da noite, Deixara em gotinhas, No verde macio Dos campos sem fim. Era, Um tempo de sonhos, De encanto e magia, Cavalgando nos prados abertos, Livres e soltos Dos seus pensamentos. Tempo de buscas e encontros, De perdas e vazios, Tempo de liberdade, e de rédeas, Nas lutas internas Do chegar e partir, Da busca interior. Tempo de vigor e beleza. Hoje, Na invernada da maturidade, Ela tece alambrados, Encurta as armadas, Parando rodeios, Em tropas perdidas No fundo do tempo. No Tempo de agora, Ela vivencia, O tempo da espera. O tempo da prosa O tempo família, No tempo de luz. Ela sente, O tempo da alma, Firmada na fé. Ela Vive, O tempo do ocaso do corpo Que aos poucos se curva, Batido do vento minuano Vindo, dos Andes da dor É o tempo, Do olhar perdido no descambar Dos últimos sóis. Tempo, De acolherar as lembranças, Dos longos caminhos Outrora floridos, E hoje cobertos de pó Dos sonhos desfeitos. Ela, Está no tempo de ter tempo, Para entender o tempo. Tempo, de dar tempo ao tempo. Nas invernadas do tempo. Poema do Festival - 1ª Querência da Poesia gaúcha de Caxias do Sul-RS