Tempo de Amar
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Regressastes enfim, e agradeço a Deus Pelos sonhos meus, pela esperança. Que venceu o tempo e engoliu distancias. A esperar por ti, varei invernos, Cruzei infernos rompi barreiras, Ressacas de mares e fronteiras Mas desistir, jamais. Fui armazenando no silêncio do meu peito Ternas auroras para te ofertar.
Uma força incrível, indestrutível, Fez-me tão forte para os temporais A fé em Deus, que criou o amor, Dava-me a certeza que voltarias, Mais dias menos dias Abririas a cançela novamente Adentrarias pelo rancho sorridente Para descansar teu cansaço em meus abraços, Fazendo o sol brilha no rancho triste, Triste e só, sem a tua presença. Sempre que o vento batia a cançela, Em altas madrugadas, horas mortas Eu corria ansiosa abrir a porta A espera de ti, Mas só o silêncio , e nada, mais nada.
Gastei as retinas bebendo horizontes Tentando compreende porque te fostes Se na verdade, não querias ir, O olhar magoado, o poncho emalado E tu ias partir. Deixando o frio na noite calada, Um rastro na estrada, e uma dor em mim. Mas, ficou a esperança, a fé que não cansa E a luz desse amor, E toda certeza, que ias voltar, Guardei a guitarra, pequenas canções Bordei ilusões... agora é esperar.
Porem o dia hoje, acordou bem mais cedo Sabendo que chegarias antes do entardecer, As patas ágeis do pingo a engolir distancias Entropilhando as ânsias de quase morrer, Pois nunca é tarde para esperanças Nunca é cedo para regressar É sempre tempo de buscar a vida É sempre tempo pra recomeçar.
Agora estás de volta,é quase sonho! Mergulhada em teu olhar tristonho Um soluço me embarga a voz, O amo que nos une,é tão sublime, Que o erro do passado se redime, E um céu de estrelas, abrir-se-á pra nós. Vendo-te assim, meu gaucho pampa Com um sorriso doce a iluminar-te a estampa Que sempre foi meu mundo, e a minha paz. Foram séculos de esperas, nesses amargos silêntes Chorando risos ausentes, tão exilada de ti.
Que força infinita há Nesse amor que habita Em cada um de nós, São laços perenes a nos unir cada vez mais. Sem mais despedidas Sem partir a vida, Não mais o adeus, Somente teus olhos Pousados nos meus.
Pendure o teu poncho na parede Desencilhe o pingo , e senta-te aqui, Nesse banco tosco que ficou vazio desde que partiste, Com um jeito triste, sem razão de ser. Vou cevar um mate para a tua sede Te chegues pra perto, bem junto de mim, Abraçe a guitarra, parceira na dor, Que muda quedou-se esperando por ti. Acorde a poeira desata teu canto, E canta gaucho, teu canto da amor.
Agora que estás de volta nada mais importa Nada mais impota, para que chorar. Deixe que a saudade se desfaça em versos Que a lua branca, venha te escutar, Que a passarada faça sinfônia Que os anjos entoem, um hino de paz Que as águas murmurem seu canto dolente, Que o sonho da gente, se possa embalar, Que as flores perfumem o toque dos ventos, Pedindo pra o tempo, um pouco de tempo, Pra que, perder tempo É tempo de amar!