Tempo Antigo
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No tempo antigo patrício Era muito diferente O povo era mais contente A vida tinha outro gosto Se vivia mais disposto Todo mundo mais amigo De a cavalo na fartura Mais amor e mais ternura Ah! Que bom era o tempo antigo!
Não existia maldade O gaúcho era um monarca O gado não tinha marca Nem cercas nas invernadas No rancho beira de estradas Ninguém negava um abrigo Fosse no campo ou cidade Morava a hospitalidade! Ah! Que bom era o tempo antigo!
Na colheita era uma festa Pois um ajudava o outro Até na doma de potro Sempre tinha um companheiro Servindo de madrinheiro Pra nos livrar do perigo Disposto a tudo o que fosse Até a fruta era mais doce Ah! Que bom era o tempo antigo!
Quando alguém carneava um boi Nunca comia sozinho... Mandava a cada vizinho Um pedaço de presente Pra que Deus onipotente Não lhe mandasse um castigo Tudo isso sem vaidade Somente por amizade Ah! Que bom era o tempo antigo!
O campo era mais bonito Tinha mais verde e beleza Não sofria a natureza Com a tal de poluição A gente comia o pão Tirado do milho e do trigo Côas mãos plantava e colhia Nem trator não existia Ah! Que bom era o tempo antigo!
Porém ao passar do tempo Parece que tudo muda Hoje ninguém dá uma ajuda Pro vivente que padece Quanto mais o mundo cresce Quero entender... não consigo Então eu me paro e penso Cada vez mais me convenço... Ah! Que bom era o tempo antigo!
Quando vejo tudo isso Francamente me apavoro Sem querer às vezes choro Lembrança antiga que trago Me parece ver o pago Lá no fundo do jazigo Definhando quase morto Que saudade do conforto Ah! Que bom era o tempo antigo!
Ah! Se eu pudesse eu voltava Pro tempo antigo de novo Só para ver o meu povo Mais alegre e sorridente Queria ver minha gente Cantando junto comigo Num canto de resistência E o grande amor a querência Ah! Que bom era o tempo antigo!
Mas continuo peleando Até o último repuxo Porque a fibra de um gaúcho Pelo tempo perpetua Um centauro não recua De fronte erguida lhes digo! Me remoendo de agonia Meu grito é de rebeldia Ah! Que bom era o tempo antigo!
Ah! ...Patrício quando vejo Um gaúcho peleador Como um traste sem valor Jogado à beira da estrada, De bombacha remendada Sem bota!... Igual um mendigo, Sem querer eu grito e peço... Vá pro inferno o progresso!... Ah! Que bom era o tempo antigo!