Caudilho
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Num "ô de casa" sem jeito, Chegava um velho caudilho, Já de cavalo aplastado, Pedindo para pousar, Dizendo apenas que vinha Trazendo gosto de sangue Da mais renhida refrega De toda a revolução.
-"Sobrei, não foi por covarde, Apenas porque pensaram Que este balaço no peito Chegava para matar. Não sabiam que a legenda Que trago dentro de mim, Quanto mais trompaços leva, Mais ganas tem pra pelear.
-Pois venho batendo, Sem saber aonde chego. Talvez co'a cor do meu lenço Não simpatize o senhor Mas lhe digo sem rodeio: Se for pra entregar as fichas, Eu prefiro outra refrega Seja da forma que for!"
Num olhar também cansado, O caudilho morador Respondia, com voz firme, Que seu rancho era de paz. -"Boleie a perna a seu modo, Que eu também estou chegando De camisa chamuscada Pelas cargas que levei!" Então se foi resbalando, Sem escoar um gemido, Tal qual um cedro copado, Ferido bem na raiz. Estendeu a mão calosa, Testemunha de combate, Ouvindo muito por dentro Quando alguém dizia: mate! E nessa hora a conciência Falou mais alto que todos, Lhe dando voz de comando, Não permitindo matar. O mesmo homem poupado Era quem o recebia Num rancho de pau-a-pique, mandando desencilhar.
Foi então que as criaturas Conversaram como gente, Gerveavam na mesma cuia, Num ato de contrição. Dependuraram os lenços Na tranca da mesma porta, Pedindo aos santos clemência Pra quem faz revolução