Tapera
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Você ‘sta vendo, sob aquela coronilha, lá encima, bem no topo da coxilha?
E’ um rancho abandonado, é um resto do passado...
E’ lá que mora a saudade...
Vamos andando, quero contar a verdade... ................................................
Espere!
Não meta o cavalo assim, qu’esse resto de jardim já foi, outrora, viçoso... E quanto manjericão cheiroso ela arrancou para mim! Era bem mesmo daí qu’ela arrancava o regalo; dessa lata carcomida, que, na terra, está metida, aí, na pata do seu cavalo.
Repare, amigo. os torrões estão caídos, os caibros apodrecidos; só uma quincha de capim.
Lê digo, isto tudo para mim é uma tortura.
Pobre coronilha! já tem o tronco pelado, pois nela se coça o gado, quando é hora de sol quente...
Venha, agora, cá na frente, quero mostrar-lhe uma coisa: ‘stá vendo aquela janela? Era ali o quarto dela.
Parece qu’eu a ‘stou vendo: Alegre, faceira, cantando, se arrumando pra m’esperar...
E’ difícil continuar! Até o ninho de João-de-barro que tinha, na comieira, coitado, também foi abandonado, com a falta da companheira...
- ’sta um cigarro.
Lê juro qu’eu inda agarro o maula que a matou porque ela o despresou.
Então,
Hei de cortar-lhe a talho; ficará como um retalho o dono dessa traição.
E’ assim mesmo, amigo.
Dessa história verdadeira, que matou meu coração, só resta, ali, sob o pé da pitangueira, onde eu plantei manjericão, a sepultura dela. ali, pertinho da cancela.
E’ aqui que mora a saudade!