Alma em Verso
Poesia

Talvez depois dos galpoes da Terra

Marco Antonio Xiru Antunes

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Pelos galpões da querência vi homens rondando agostos com olhares de setembro, adivinhavam seus medos pela orelha dos cavalos e gritos de quero-queros, e salpicados de estrelas bebiam céus de silêncios.

Alguns traziam invernos quando apontavam nos verões, resguardavam ressolanas no fio de cada tesoura, pois carregavam a sina de entregarem para as estâncias a lã que aquece seus filhos no coração da invernera.

Outros navegadores no mar verde dos rodeios... a estenderem suas mãos com doze braças de laço depois cevavam Rio Grandes no seu exílio moreno quando o bronzeado das tardes se misturava ao sereno.

Eu cantei nos ofertórios para os filhos destas querências, domei magoas retraidas sob o sol da incoerência, repassei todos os sonhos refletidos no orvalho e desquinei meus hinários na terra negra e vermelha.

Sacramentei minhas nuances embaladoras de bastos na infância do cavalete sob o teto do galpão, como se fossem orações no entardecer de minha alma, porque sementes de pasto brotavam em meu coração.

E mirei a mestiça perdida dos seus encantos e olhei para os profetas descrentes dos seus enganos e canteis para os famintos com melenas de guerrilhas, para amenizar as retinas molhadas pelos tiranos.

Depois da carne da terra ainda terei olhos d´agua miradores de horizonte rastreando o pó das estradas, que alma fere os covardes e o coração pede pasto ressonando em tempo gasto pela inconstância do peito.

Já não serei mais carnal recostado em algum basto repetido de consciência abrindo ruflos no espaço, serão estes olhos d´agua pelas artérias da terra sonhando ninhos de paz nas cidades de guerra.

Terei visões das heranças, terei ventos na memória, serão ciclos das história terrestres por conviniência ou flutuei inconciências erguidas nos meus silêncios, e adivinhei meus rebentos pelas rodas das carretas.

Se retornar pelo tempo na forma das criaturas acordarei partituras no milagre das manhãs, ouvindo a voz dos tajãs celebrarem o universo, sem cabrestos de protestos e com gargantas de picumãs..