SONATA EM DÓ MAIOR PRA DOÑA INÊS
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I Movimento)
Das rosas que sonhaste em tua infância plantadas no caderno de poesia, infante coração, não concebias que delas colherias só lembranças...
Bordaste no enxoval das esperanças as flores dum jardim que mal sabias ser feito das mais frágeis fantasias fadadas à intempérie das distâncias.
Assim, te debruçaste nas esperas aflita pra viver as primaveras que as rosas prometiam no caminho...
Apenas por inveja ou por maldade a vida te mentiu felicidade bordando a tua estrada com espinhos.
(II Movimento)
Tu tanto te guardaste em seda e plumas na casta tradição de vãs origens pois, alva te entregaste doce e virgem sonhando que era aurora o que era bruma.
As rosas feneceram, uma a uma, o sonho não passou de ser vertigem, e o sorriso sutil que ora te cinge deixou-se desmaiar sem luz nenhuma.
Buscando uma edelweiss que não tiveras partiste pra colher tuas quimeras levada por fatal ilusionismo...
Eufórica, encoberta pelo véu... Pensaste que ascendias para o céu sem ver que mergulhavas num abismo.
(III Movimento)
Foi tanto que te deste pelas rosas, os sonhos no caderno de poemas, que a vida para ti se fez extrema ao longo da jornada desditosa.
Na vida mais se sofre do que goza, não há felicidade sem dilema, assim, a nossa graça mais suprema é lá no fim do poço que repousa.
De todo sofrimento que passaste cuidando das roseiras que plantaste nos sonhos que o destino não te dera,
Por fim, Deus teve pena dos teus males: no fundo desse abismo tinha um vale repleto de rosais à tua espera...
5ª Carreteada da Canção e Poesia Nativa