Sinuelo de sonhos
Publicado em
Sou prenda inda jovem, sei, Mas tenho conhecimento De aprender o que é de lei, Pra sofrenar sentimento. Pouco a pouco, num remanso, Vou preparando o futuro. Nessa lida não me canso, Não me afoito, não me apuro. Envolvo assim, docemente, Dentro do peito onde trago, Num coração mui ardente, Relíquias desse meu pago: As planícies, as canhadas, As pradarias sem fim, Onde os potros em manadas São pedacinhos de mim. A cacimba de água clara, As vertentes cristalinas, Donde lavei minha cara Em suas águas divinas. A carreta que andou tanto E agora não se vê mais, Ficou para trás nalgum canto Cochilando nos varais. Tanta coisa por sua vez, Que se fez, tão macanuda, A gente muda, talvez, Mas o pago nunca muda. E aparto o certo do errado, Cruzo a porteira pra estrada Com o destino traçado Porque assim fui ensinada. Nos peçuelos da esperança Levo os sonhos que puder, Do meu ontem de criança... Pra uma amanhã de mulher !