Rio Grande Encantado: A Mística Cultura Lendária
Pelos campos do Rio Grande, Existem tantos mistérios Que nem mesmo os cemitérios Os conhecem por completo...
Quando as noites mais escuras Se encompridam, mormacentas, E as coruja, agourentas, alçam vôos rasantes, As coxilhas e canhadas, vão sendo aos poucos, povoadas, Por conta do imaginário, pelo exército lendário, Da mente de cada andante.
A “cobra grande” galopa, sobre as ossadas antigas... Línguas de fogo, compridas, correndo daqui e de lá; É a luz do boitatá, querendo matar de medo, Quem não foi dormir mais cedo e ainda anda a vagar.
Na furna da Salamanca, lá no cerro do Jarau, A fumaça, em baforadas, sobe da toca encantada, Onde se busca, ainda, a sorte que teve Bento Manoel; (E Blau Nunes, em papel de rastrear o boi barroso, Surgiu um vulto, curioso, apenas pelo tropel)...
Um pontilhado de luzes, como velinhas de cera, Multiplicam-se, ligeiras, ao longe, na escuridão, Retumbam cascos, galopes, de uma tropilha gaviona, Que a muitos quartos de lua, por arisca e chimarrona, Dá trabalho pro negrinho, que campereia sozinho, Os cavalos do patrão.
Cerros bravos, Mãe Mulita, Zaoris e a Mãe do Ouro, São partes deste tesouro, que a cultura ainda preserva, Tesouro que se conserva na casa de Mbororé... -O padrinho de Angüera, que tornou-se generoso, E o Rio Grande, majestoso, tem por guardião permanente, O facho mais reluzente do lugar de Aão Sepé!!!