QUANDO RUMINO MEUS SONHOS
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Neste universo de sonhos, em que mergulho meus dias, Há um mar azul de esperanças e anseios de ser feliz, Um barco tocado a velas, flutua ao soprar do vento, Sem nunca encontrar a costa: Balança, cortando as águas, descartando dor e mágoas, Tentando, em vão afagá-las, pra que não voltem jamais.
O pensamento que voa, faz eco com a voz do vento, Pega carona nas asas dos vendavais que remexem As cinzas já sepultadas, de um passado que ficou, Passado já bem distante, mas que teima, a cada instante, Querendo sempre voltar, Bate com força na porta da lembrança que ainda existe, Paciente, espera, insistente...volta a tentar.
O campo, outrora povoado de gado, pastando, às portas, Hoje, apenas “faz-de-conta”, povoam pastos rapados, Onde, pescoços vergados, pastam misérias tamanhas, Pra fulminar nas entranhas, restolhos dos enjeitados.
Ao longo dos corredores Que as imagens das retinas me permitem recordar, Enxergo tantos andejos, que ainda buscam distâncias, Talvez porque tenham ânsias até hoje incompreendidas, Vejo tropilhas perdidas, errantes, desassistidas, Em rondas que se eternizam, Porque há na dor que agonizam, só experiências malogradas.
Onde será que se esconde essa tal felicidade? Nas vielas da cidade ou na largueza dos campos? Eu não entendo que esteja na luxúria das mansões Onde habitam corações avarentos, insensíveis, Que são, no fundo, infelizes, no desamor que cultivam.
Olho a coxilha, na volta, agonizando a loucura, Da vasta monocultura, que serve para exportação; E a tristeza do peão, sentindo-se tão pequeno, Multiplicando o veneno que contamina o seu pão.
Há de haver um novo vento pra embriagar essas velas, E aprumar as caravelas Nesse mar, onde as tristezas germinam nas incertezas, Porque a nau desgovernada roda sem rumo e sem rota, Como a perdida gaivota, que faz círculos no ar.
E que haja alguém pra mostrar (um desses tauras campeiros). Que, por detrás dos luzeiros que piscam sobre os povoados, Há uma legião de soldados, que mesmo sem fardamento, São parte de um regimento que sustenta o nosso Estado.
E assim, quem sabe, algum dia, numa grande retomada, Achando rumos na estrada, possamos ser mais felizes; Temos linhagem, matizes, história e cultura, Somos a cepa mais dura do cerne bugre pampeano, E este povo soberano jamais perderá seu tino, -Senhor do próprio destino - por isso nasceu vaqueano!