Pra os que Dão Vida a Poesia
Das gargantas eloqüentes, como o nascer de um teorema, Vai emergindo o poema que o poeta rabiscou, E as mãos... ( a vida no estro...), à modelar, qual maestro, O concerto que brotou...
...Como um gigante alado, (braços planando nos ares), Os versos: Vida... Pulsares, do fundo dos oceanos, Que a Divindade de Olimpo, na alquimia de um garimpo, Traz pra o plano dos humanos
O palco, doce berçário, ponto central do Universo, Que a Sesmaria do Verso transforma em templo sagrado, Onde florescem em rimas as mais lindas obras primas, Arte... Cultura... Legado!
Como é bonito, em setembro, início de primavera, Poder viver a quimera de um recital de poesias, É como ouvir das distâncias, vozes rurais nas estâncias, Em quadras de sesmarias...
É como o trinar dos pássaros anunciando a alvorada, É a prosa da peonada bem junto ao fogo de chão, Como cantigas de aboio, em dueto com o arroio Que abre caminhos no chão
O Rio Grande se transforma na Catedral do xucrismo, De puro regionalismo, do verso feito a cavalo, E esse lirismo campeiro chega lambendo o saleiro Como quem ganha um regalo!
O Litoral ouve o éco das gargantas retesadas, Como ondas moduladas ao rodar dos cataventos, E a confraria presente, vem pra beber da vertente Dos mais puros sentimentos
Osório abre a porteira pra receber os andantes Que vêm de rumos distantes pra beber no manancial, É o que se vê ano a ano, como se o próprio oceano Virasse um grande missal
Então, os declamadores desfiam verso por verso, Como se um mundo disperso vibrasse numa só nota, E a poesia ganha vida... É luz do sol refletida Na plumagem da gaivota
São eles, que abrindo o peito, deixam fluir a mensagem, Criando alma e imagem ao poema recém parido, Emoldurando-o com zelo, como a mãe lambendo o pelo De um potrilhito nascido
Bendita a voz que levanta de uma garganta campeira, Seja da Serra ou Fronteira, da Campanha ou Litoral, Dando “sonido” às palavras, batendo à porta das casas Pra um “saludo” fraternal
E esses trovoeiros revezam, se alternando na tribuna, Marcando a tropa reiúna com o timbre da sua voz... ...E os versos saltam do brete, como corcóvos de um flete, Fazendo Pátria em nós!
A inspiração toma conta quando aflora o sentimento, Pra o campeirismo é o momento de força e virilidade; Pra o lirismo é a melodia de quem extrai da poesia Sua sensibilidade
Um taura ”mandando” versos é um palanque na coxilha, É o cerno da coronilha desafiando o temporal... ...É o simbolismo sagrado de um farroupilha “plantado” Contra o domínio central
Uma prenda declamando é uma Deusa em sua essência, Flor mais bela da querência, Anjo de paz e ternura, Onde o poeta se inspira, tirando, ao som de uma lira, A mais linda partitura
Aqueles que já partiram: O Boca, o Joel, o Darci... É certo que estão aqui,( também outros que bandearam), Para aquecer-se ao braseiro e abraçar cada parceiro Que, quando em vida abraçaram
Que o grande Patrão do mundo, Deus Supremo, Onipotente, Esteja sempre presente, aplaudindo com louvor, A cada palavra ou gesto de um poema manifesto Na voz do declamador !!!