Alma em Verso
Poesia

Saudade

Albeni Carmo de Oliveira

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A saudade é uma chinoca Traiçoeira e sem compaixão, Que deixa um índio no chão Quando não leva à loucura. É a mais triste criatura Que se conhece na vida, Que nos deixa com dor sem ferida Até ir para a sepultura. É doença que não tem cura No corpo de algum vivente, É algo que a gente sente Quando se está na amargura.

Quem não conhece esta prenda Não procure conhecer, Senão, vai se arrepender E fica muito abatido Tristonho e desiludido Sem vontade de viver Aí não dá para dizer Que está arrependido.

Pois esta china malvada Não tem lar e nem idade, É só chamada saudade Por quem lhe conhece bem, De qualquer lado ela vem Não tem dia e nem hora Chega e não vai mais embora Passa a morar com a gente, Quem é forte fica doente Quem é duro sempre chora.

Tem gente que bebe trago Para lhe espantar do peito, Outros procuram um jeito De inventar um remédio Se fecham num triste tédio Em um mundo diferente. Se nota logo quando a gente Está com a enfermidade, E carrega-se saudade De algo que está ausente.

Pois é fácil o contágio Desta doença atrevida, Que sempre em nossa vida Causa um tremendo estrago, Pois tem muito índio vago Que às vezes morre penando Longe da amada chorando Ou com saudades do pago.

Por isso a saudade é doença Que não se cura no más, Ataca velho e rapaz Sem se importar com a idade Não adianta a vaidade Nem dinheiro ou luxuria, Ela acaba com a alegria De quem ela contagiou. Alguém já me perguntou Sobre essa doença esquisita? E eu respondo nesta escrita A saudade é o que fica Daquilo que não ficou.