Meu Pala
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Meu velho pala gaúcho Nobre traste farroupilha, Que andaste pela encilha Junto do guasca farrapo. E onde, tu, velho trapo, Foste testemunha de horror, Quando junto em batalha. Servindo até de mortalha, Prá o gaúcho peleador...
Por isso pala franjado Triste fico quando vejo teus flecos, Quantas vezes nos botecos De um corredor de campanha, Já meio manchado de Canha, Por um xirú beberrão, Que gritando; "Oh bolicheiro! Me encha o copo ligeiro Ou eu te viro o balcão"...
Quanta humildade meu pala Te dão nos dias de agora, Os lindo tempos de outrora Já se foram a trote largo. E hoje, só dias amargos Nos restam prá tradição , Mas, nós embora solitos, Vamos andando ao tranquito Vivendo de uma ilusão...
Meu velho pano lendário Que junto andaste no pampa, Tu guardas na tua estampa Tantos sinais de nobreza. Hoje, encaro com tristeza Quando te vejo em meu rancho, Anunciando uma desgraça. Todo furado das traças Dependurado num gancho...
Por isso, meu pala velho, Este é um pedido meu, Já que o destino te deu A sina de andar comigo. Eu peço prá todo o amigo, Que se eu morrer velho ou moço, E ao me encontrar estirado, Que me deixem sossegado contigo atado no pescoço...